BBC Brasil afirma que empresa usou perfis falsos em redes sociais para influenciar eleições

BBC Brasil

Uma reportagem realizada pela BBC Brasil e divulgada no dia 8/12 apontou que um “exército virtual” de perfis falsos foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente nas eleições de 2014.

De acordo com a reportagem, ao menos 13 políticos teriam sido beneficiados com a estratégia, entre eles senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

As evidências mostradas na reportagem, que teve investigação de mais de três meses, demonstram que a estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012.

A reportagem identificou também um caso recente, ativo até novembro de 2017, de suposto uso da estratégia para beneficiar uma deputada federal do Rio. De acordo com a matéria, os perfis, conhecidos como ciborgues, misturam pessoas reais e máquinas e criam um rastro de atividade mais difícil de detectar por computador, devido ao comportamento similar ao de humanos.

O empresário carioca Eduardo Trevisan, proprietário da Facemedia, registrada como Face Comunicação On Line Ltda, teria começado a mobilizar os perfis falsos, em 2012, contratando até 40 pessoas espalhadas pelo Brasil que administrariam as contas para atuar principalmente em campanhas políticas.

Intitulados de “ativadores”, estes funcionários recebiam perfis prontos da Facemedia, contendo foto, nome e história de cada um. Os funcionários alimentavam e dava prosseguimento à narrativa criada pela empresa, misturando publicações de caráter pessoal com posts de apoio aos políticos. O salário inicial de um controlador de perfis falsos ficava por volta de R$ 800 — nas eleições de 2014, o valor teria subido para R$ 2 mil.

Esta reportagem é a primeira da série Democracia Ciborgue, em que a BBC Brasil mergulha no universo dos fakes mercenários, que teriam sido usados por pelo menos uma empresa, mas que podem ser apenas a ponta do iceberg de um fenômeno que não preocupa apenas o Brasil, mas também o mundo.

A BBC Brasil procurou Trevisan. Por e-mail, o empresário afirmou que nunca criou perfil falso. “Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais”, disse. “Os serviços em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia estão descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por questões éticas e contratuais, a Facemedia não repassa informações de clientes privados”, vaticinou.

Ainda segundo a reportagem da BBC, em 2009, Trevisan foi convidado para falar sobre o Twitter no programa de Ana Maria Braga na TV Globo. Ele também foi fonte de diversas matérias sobre a Lei Seca no Rio de Janeiro e em 2010 foi homenageado pela Câmara Municipal da capital fluminense.

A matéria da BBC traz dados sobre os pagamentos realizados pelos partidos a Facemedia, além de um roteiro utilizado pelos perfis nas redes e mais informações sobre os envolvidos. Leia a reportagem completa, aqui.

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Atlas da Notícia aponta 70 milhões de brasileiros sem fonte de informação

Atlas da Notícia

O “Atlas da Notícia”, levantamento com base em jornalismo de dados sobre a presença ou ausência da imprensa em todo o território nacional, revelou que 70 milhões de habitantes não têm registros de meios noticiosos impressos ou digitais. O estudo é uma parceria do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo com o Volt Data Lab e o Observatório da Imprensa.

O projeto tem inspiração no America’s Growing Deserts of News da revista Columbia Journalism Review. Os números apurados pelo Volt Data Lab se baseiam em três fontes de informações: Secretaria de Comunicação do Governo Federal, Associação Nacional de Jornais (ANJ), além de uma campanha de crowdsourcing.

Foram identificados, na primeira etapa do projeto, 5.354 veículos — entre jornais impressos e sites —, em 1.125 cidades de 27 unidades federativas. Um universo que compreende aproximadamente 130 milhões de pessoas, mais de 60% da população brasileira.

Quase 35% da população nacional não dispõe de notícias sobre sua própria comunidade, vivendo nos chamados “desertos de notícias”, onde não se cobre, entre outras coisas, nem a Prefeitura ou a Câmara Municipal. Não há, nesses territórios, a produção jornalística, o que compromete a capacidade decisória dos cidadãos. O conceito de “desertos de notícias”, olha para os espaços não contemplados na pesquisa: 4.500 municípios representando 70 milhões de habitantes.

“O Atlas da Notícia é, antes de mais nada, uma ferramenta para conseguirmos enxergar quais as localidades mais carentes de jornalismo no Brasil”, explica Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab. “Dessa forma, ao criar conhecimento sobre esses desertos informativos, o Atlas servirá como ponto de partida para entendermos melhor a configuração do jornalismo no país”.

Números

Em termos absolutos São Paulo é o estado com maior número de veículos noticiosos (1.641), seguido do Rio Grande do Sul (600) e Santa Catarina (547). O predomínio é dos meios impressos (63% contra 37% dos digitais). Já nos veículos online, a liderança proporcional é do Distrito Federal, seguido de Rondônia e Santa Catarina. O Maranhão é o estado com menor número de veículos online, considerando a relação por cem mil habitantes.

O sudeste ocupa o primeiro lugar nos números absolutos, com 2.643 veículos impressos e online, mas considerando a proporcionalidade na relação a cada cem mil habitantes cai para terceira posição. Neste caso, a liderança é da região sul com média de 5,49 veículos para cada cem mil habitantes, seguida do centro-oeste com 4,5 veículos, norte com 1,31 veículos.

A média mais baixa está no nordeste com 0,72 veículos. Os números do impresso acompanham a tendência do ranking geral. Ao considerar os veículos online a liderança passa a ser da região centro-oeste, seguida pelo sul, sudeste, norte e nordeste.

Das cidades do interior com mais veículos mapeados digitais e impressos são Campinas e Santos, empatadas em 12º lugar, com 30 veículos mapeados, seguida por Ribeirão Preto, em 19º lugar, com 22 veículos.

Já quando analisadas as regiões metropolitanas a liderança é do Distrito Federal, seguida de Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Das capitais de outras regiões do país, Belém aparece na sétima posição, seguida de Salvador, Fortaleza e Recife.

Quando considerados apenas os veículos impressos Porto Alegre assume o 1.º lugar no país, seguida do Distrito Federal, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Quando se trata de veículos online, porém, o Distrito Federal ocupa a primeira posição, São Paulo a segunda e Porto Alegre a terceira.

Os dados e gráficos da pesquisa podem ser vistos aqui.

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Quem controla a mídia no Brasil?

 

Quem controla a mídia no Brasil?

RSF e Intervozes lançam relatório “Quem Controla a Mídia no Brasil”

A Repórteres Sem Fronteiras e a Intervozes lançaram na tarde de terça-feira (31), em São Paulo, o Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil (MOM). A pesquisa, que durou quatro meses e contou com a participação de apenas oito profissionais oferece uma imagem detalhada de quem são os proprietários da mídia no Brasil e de sua atuação em outros setores da economia. O país é o 11.º a receber o levantamento e os dados completos da pesquisa podem ser acessados pelo site do MOM.

Foram investigados 50 veículos de comunicação de todo o país divididos em quatro grandes grupos: TV, rádio, impresso e online. E evidenciou-se que 26 deles pertencem ou são controlados por grupos econômicos. Nove são do Grupo Globo, cinco do grupo Bandeirantes, outros cinco de Edir Macedo (considerando a Rede Record e os meios de comunicação da Igreja Universal do Reino de Deus), quatro da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul e três do grupo Folha. Os grupos Estado, Abril e Editoral Sempre Editora/SADA controlam, cada um, dois dos veículos de maior audiência. Os demais possuem apenas uma das mídias pesquisadas.

A pesquisa identificou que 73% destes grupos têm sede na região metropolitana de São Paulo. No total, 80% estão localizados nas regiões Sul e Sudeste do país, de onde dominam a audiência nacional. No segmento de TV, mais de 70% da audiência nacional está concentrada em quatro grandes redes (Globo, SBT, Record e Band) e, somente a Rede Globo, detém mais da metade da audiência entre os “top quatro”, 36,9%. O SBT segue com 14,9% e a Record registra 14,7% do total.

Metodologia

O MOM-Brasil mapeou 50 veículos ou redes de comunicação em quatro segmentos: 11 redes de TV (aberta e por assinatura), 12 redes de rádio, 17 veículos de mídia impressa (jornais de circulação diária e revistas de circulação semanal) e 10 veículos online (portais de notícias). De acordo com os organizadores, a pesquisa brasileira é a de maior extensão já realizada pela RSF. Nos demais países, o número de veículos investigados chegou a, no máximo, 40.

Os veículos foram selecionados com base em dados de audiência. Também foi considerada sua capacidade de agendamento, ou seja, seu potencial de influenciar a opinião pública. A diferença entre o número de veículos de cada tipo se deve a maior ou menor concentração de audiência e ao alcance geográfico em cada segmento.

Para cada emissora, a equipe realizou um perfil dedicado ao histórico do veículo e também do grupo controlador até chegar ao proprietário da mídia. No total, estão disponíveis 98 perfis, em inglês e português, que detalham os vínculos comerciais, parcerias, amigos influentes, relações políticas e religiosas de cada um deles.

“Fizemos um trabalho de levantamento de fontes de audiência disponíveis e em alguns casos fontes de hábito de consumo da mídia e cruzamos os dados. O IVC também foi um grande parceiro, que enviou informações para a pesquisa com muita generosidade. Diferentemente de outros setores que são controlados por mercado de venda de informação, como é o caso da audiência de TV, por exemplo, onde o custo pra obtenção dos dados é muito alto”, apontou André Pasti, coordenador da pesquisa pelo Intervozes.

Ainda sobre a metodologia utilizada no levantamento, desenvolvida pela RSF Alemanha, Pasti pontuou a importância de dar transparência às informações. “Para além de dizer quem são, é saber que interesses econômicos existem. Isso é um ganho da pesquisa no sentido de dar transparência. Não significa que porque uma empresa tem negócios no mercado financeiro vai proibir seus jornalistas de fazer uma crítica, mas é importante que as pessoas saibam quais interesses econômicos estão associados aos grupos e famílias que detém o controle da mídia no país”, disse.

“Fizemos um esforço grande de separar o conceito de empresa, de legalidade de empresa. Porque há empresas que têm 20 ou mais CNPJs e a própria ‘pejotização’ está levando a algumas parcerias do tipo: conselheiro que recebe parcela de ações e vira acionista ou diretor para dar conta de uma contabilidade criativa nas empresas. E isso dificulta de maneira inimaginável o trabalho”, defendeu.

Pasti comentou também, sobre a dificuldade na obtenção de dados dos veículos.  “Faz parte da metodologia buscar as fontes oficiais, descobrir se as empresas disponibilizam dados de propriedade e outros publicamente, se há transparência ativa e nenhuma no Brasil tem, nenhuma empresa fornece esses dados. Fizemos pedidos de informação às empresas, mandamos mensagem para todas elas, garantimos que o pedido foi recebido e demos um prazo para retorno. Nenhuma empresa devolveu as informações”, vaticinou.

Ainda de acordo com Pasti, das 50 empresas investigadas, uma respondeu que eram informações estratégicas, “sendo que ela é concessionária de televisão e é um serviço público que obriga ela por Lei a nos dar essa informação”, disse. Outra respondeu querendo saber se os demais veículos tinham respondido e que ela só daria as informações caso as outras também o fizessem. E a terceira disse que ajudaria, mas que estava com dificuldade em obter as informações. “Isso foi assim até o fim da pesquisa. Não temos transparência ativa nem passiva nos dados”, apontou.

Resultados

A partir dos perfis levantados, a equipe chegou a uma série de indicadores de riscos à pluralidade na mídia no país. Dos dez indicadores, oito representam risco médio e alto para a transparência na imprensa. Entre os 11 países pesquisados pela RSF até agora, o Brasil é o mais negativo neste quesito.

A pesquisa indica também, que o perfil dos proprietários dos grupos é, em sua maioria, homens, brancos e cristãos. As exceções estão no Grupo SADA, Grupo Record e, também, no SBT, onde os cargos executivos já estão sob a gerência das filhas e esposas dos proprietários.

“Tentamos mapear não apenas os donos que constam nos CNPJs, mas também quem é a cara pública dos veículos, o CEO, o diretor de redação e o redator-chefe, se tem outras pessoas importantes naquele grupo e os colunistas. Se considerar não só os fundadores e proprietários, mas também etes cargos executivos, a maior parte deles é composta por homens brancos e grupos familiares. Há muita transmissão da empresa para as famílias, filhos, herdeiros, netos, bisnetos”, apontou Olivia Bandeira, da Intervozes.

Outro dado importante é a relação entre a mídia e os grupos políticos; 32 deputados federais e oito senadores controlam meios de comunicação, ainda que não sejam formalmente seus proprietários. O relatório aponta que, na maioria dos casos, as afiliadas são controladas por empresas que representam diretamente políticos ou famílias com tradição política. No caso da família Macedo, controladora do grupo Record e da Igreja Universal do Reino de Deus, eles dominam o Partido Republicano Brasileiro (PRB).

A relação dos proprietários de mídia com as Igrejas também é destaque na pesquisa. Veículos com programação evangélica, católica e espírita dominam as faixas de horários arrendados em veículos não-religiosos, como no caso da Record ou da Rede TV!. A presença de colunistas em impressos e em rádios também é marcante. “As minorias religiosas e religiões afrodescendentes não aparecem em local nenhum, nem na propriedade e nem na produção de conteúdo”, declarou Olívia.

Para Olaf Steenfadt, coordenador global do projeto MOM, esta relação entre veículos e Igreja é típico do Brasil. “Investigamos 10 países até agora e em nenhum o envolvimento entre a Igreja e a mídia foi tão intenso e profundo quanto no Brasil. Há apenas um país que talvez possamos comparar que são as Filipinas, onde há grande presença da Igreja Católica, que além de possuir canais de mídia usa isso como plataforma política”, declarou.

“O que vemos de particular neste cenário brasileiro é a triangulação entre igrejas, política e negócios, em que a Igreja também tem influência em outras áreas como a educação, por exemplo”, disse.

“É possível compreender que este é um fenômeno particularmente cristão. Em outros países de outras religiões, muçulmanas, por exemplo, há um tom geral muçulmano nas mídias, mas não há a propriedade de uma igreja ou instituição. Isso também não acontece em países budistas ou hindus”, ponderou.

Além disso, setores do agronegócio, bancos, siderúrgicas, instituições educacionais e empresas do ramo da saúde são mantidos pelos proprietários de mídia investigados.

Baixa adesão

Apesar de terem tido contato com as emissoras durante a apresentação dos dados à imprensa não houve comparecimento de membros dos veículos citados na coletiva, com exceção de dois representantes de uma das rádios do Grupo Bandeirantes e a reportagem da IMPRENSA. Também não compareceram veículos de trade, coletivos independentes, sindicatos ou demais órgãos de representação.

De acordo com Olívia, todos os veículos que foram investigados receberam convites para a coletiva e também para o evento de apresentação, que aconteceu no final da tarde. Além disso, a RSF se reuniu ainda, com representantes dos grupos durante todo o processo de levantamento de informações.

Segundo a assessoria de imprensa do MOM, a taxa de recebimento e abertura dos e-mails com o release sobre a pesquisa chegou a 100% em alguns dos veículos mais significativos da região sudeste e, mesmo assim, não houve cobertura destes sobre o relatório.

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Brasil é o sétimo país do mundo que mais mata jornalistas

Brasil é o sétimo país do mundo que mais mata jornalistas

O levantamento “World Trends in Freedom of Expression and Media Development” da Unesco, que deve ser publicado nas próximas semanas, revelou que em média um jornalista é assassinado a cada quatro dias em todo o mundo. Nos últimos 11 anos, foram 930 jornalistas mortos exercendo seu trabalho. A informação é da Folhapress.

Ainda de acordo com o estudo, em 2016, cinco jornalistas foram mortos no Brasil por exercerem sua profissão, nos alçando assim, ao sétimo lugar no ranking mundial de países que mais matam jornalistas no mundo. À frente do Brasil estão a Guatemala, com sete jornalistas mortos; a Síria, que há seis anos vive uma guerra civil, com oito mortes; e o Iraque, envolvido na guerra contra a milícia terrorista Daesh, conhecida como Estado Islâmico, com nove.

O terceiro lugar é do Iêmen, que está em guerra civil desde 2015 e sofre uma grave crise de segurança alimentar. Onze jornalistas morreram no país. Em primeiro e segundo lugar estão o México e o Afeganistão; esse último completou 16 anos de conflito armado em 2017. Ambos tiveram 13 jornalistas mortos no último ano.

O índice alarmante motivou em 2013 as Nações Unidas a declararem o dia 2 de novembro como o “Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas“. A cada dez casos, apenas um é resolvido. Para a Unesco, a impunidade encoraja o assassinato de jornalistas e os intimida, criando um ciclo vicioso de cerceamento da liberdade de imprensa.

Unesco, no exercício de seu mandato de defesa da liberdade de expressão e de imprensa, dedica em seu site uma página a condenações públicas de assassinatos de jornalistas em todo o mundo.

Entre os casos ocorridos no Brasil e condenados pela agência, destaca-se o assassinato de Maurício Campos Rosa, 64, que era dono do jornal “O Grito”, distribuído gratuitamente em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte. No dia sete de setembro deste ano, Roseli Ferreira Pimentel (PSB), prefeita de Santa Luzia, foi presa por suspeita de envolvimento no assassinato de Rosa. Investigações da Polícia Civil concluíram que ela teria desviado R$ 20 mil da Secretaria de Saúde municipal para pagar pelo crime.

Redação Portal IMPRENSA

Julian Assange oferece recompensa por informações sobre assassinos de jornalista

Twitter Julian Assange

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, prometeu uma recompensa de 20 mil euros por informações que levem aos assassinos da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia. A repórter, vítima de um atentado no dia 16 de outubro, foi fundamental na investigação e divulgação de denúncias no âmbito do “Panamá Papers”.

“Indignado de saber que a jornalista investigativa e blogger maltesa Daphne Caruana Galizia foi assassinada esta tarde perto de casa com uma bomba em seu carro. Ofereço uma recompensa de 20 mil euros por informações que conduzam à condenação de seus assassinos”, escreveu Assange em seu blog.

Esta semana, o filho da jornalista, Matthew Caruana Galizia, que também é membro do Consórcio Internacional de Periódicos de Investigação (ICIJ), acusou as autoridades de Malta de cumplicidade do assassinato. “Vocês são cúmplices, responsáveis”, disse por sua conta no Facebook.

Na quarta-feira (18), a União Europeia se pronunciou sobre o crime. “Estamos horrorizados pelo fato de ser uma jornalista conhecida e respeitada, a senhora Daphne Caruana Galizia, perdeu sua vida no que parece ser um ataque especificamente dirigido contra ela”, disse Margarita Schinas. “Foi um ato escandaloso”, assegurou, “O que conta agora é que se faça justiça”.

O primeiro ministro de Malta, Joseph Muscat, que reconheceu que a jornalista publicava constantemente críticas contra ele, tachou o assassinato como um ato de “barbarie” e ordenou aos serviços de segurança que dediquem todos os recursos possíveis à investigação.

Para o porta-voz do executivo europeu, Caruana Galizia era “uma pioneira do jornalismoinvestigativo em Malta” e explicou que o presidente da Comissão Jean-Claude Juncker, e seus comissários “condenam com máxima força este ataque”.

Portal Imprensa

78% dos jornalistas latino-americanos desaprovam Michel Temer, revela pesquisa

Michel Temer sofre

O instituto Ipsos divulgou essa semana os resultados de uma nova pesquisa realizada com formadores de opinião da America Latina sobre a atuação de 11 chefes de Estado da região. O presidente brasileiro ficou em penúltimo lugar, totalizando índice de 17% de aprovação. Entre os líderes mais rejeitados estão Nicolás Maduro, da Venezuela (92%); Michel Temer, do Brasil (78%), o cubano Raúl Castro (73%) e Enrique Peña Nieto, do México (63%).

Já os nomes com maior aprovação entre os entrevistados são Juan Manuel Santos, da Colômbia, com 78%; seguido pelo uruguaio Tabaré Vázquez com 67%, e em terceiro lugar Mauricio Macri, da Argentina, com 69%.

O estudo revela também que a maior aprovação de Temer está entre os participantes brasileiros, com 26%, enquanto os jornalistas peruanos são os que mais o desaprovam com taxa de 89%. Já os entrevistados brasileiros acreditam que a chilena Michelle Bachelet é a melhor presidente, com 74% de aprovação, e o pior líder é Nicolás Maduro, da Venezuela, com 97% de desaprovação.

Mesmo presidente

Levando em conta apenas os países que continuam com o mesmo presidente, a pesquisa comparou os resultados desta edição com a de 2016. O colombiano Juan Manuel Santos lidera há dois anos consecutivos o ranking com índice atual de 79% diante dos 74% do ano anterior.

O último colocado ocupa a posição há dois anos consecutivos. Nicolás Maduro, da Venezuela, este ano apresenta apenas 5% de favorabilidade, com um ponto percentual a menos do que o ano passado (6%).

A pesquisa foi realizada entre 11 de agosto e 11 de setembro de 2017, e contou com a participação de 14 países da América Latina, onde foram entrevistados 367 formadores de opinião e jornalistas de destaque.

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Prefeita mineira é presa por envolvimento em assassinato de jornalista

Prefeita é presa por envolvimento em assassinato de jornalista

Roseli Ferreira Pimentel (PSB), prefeita de Santa Luzia, em Minas Gerais, foi presa na manhã de quinta-feira (7), acusada de envolvimento no assassinato do jornalista Maurício Campos Rosa. O crime aconteceu em agosto de 2016 e além de Roseli, outros três homens suspeitos também foram levados pela polícia. As informações são do Jornal O Globo.

O jornalista era dono do jornal local “O Grito”, distribuído gratuitamente há mais de 20 anos na cidade, que faz parte da região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a polícia, Rosa foi morto com cinco tiros ao sair da casa de um conhecido. A prefeita já havia sido condenada anteriormente em outra ação por enviar mensagens aos diretores e professores de escolas pedindo que influenciassem pais de alunos nas eleições.

Em 2012, foi eleita vice-prefeita na chapa com Carlos Alberto Parrilo Calixto. Após a morte de Calixto em decorrência de um aneurisma, em 2016, Roseli assumiu o comando da cidade de 72 mil habitantes.

No ano passado, Roseli foi reeleita com 34% dos votos, mas em abril deste ano foi afastada pelo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) por abuso de poder econômico e propaganda indevida com excesso de gastos em publicidade institucional. Em junho, a prefeita foi reconduzida ao cargo por meio de uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa de Minas Gerais (DHPP) deve fazer uma coletiva ainda essa semana para explicar a prisão, a motivação do crime e a relação entre a vítima e os acusados. Além da chefe do executivo foram presos David Santos Lima, Alessandro de Oliveira Souza e Gustavo Sérgio Soares Silva.

Histórico

Desde 1992, Roseli atuou como professora, supervisora e diretora de escolas. Ingressou na política em 2009, quando se tornou assessora da procuradoria da Câmara de Vereadores.

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Lula tem direito de resposta negado em reportagem no “Fantástico”

Luiz Inácio Lula da Silva

O juiz Gustavo Dall’Olio, da 8ª Vara Cível de São Bernardo do Campo negou, na última quarta-feira (30), o pedido de resposta feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito de uma reportagem exibida pelo “Fantástico” no dia 16 de julho. “É vedado ao Poder Judiciário influir no conteúdo de matéria jornalística, porque a ninguém, nem mesmo ao ex-presidente da República, é dado pautar a imprensa”, afirmou o juiz.

Segundo informações do Conjur, o ex-presidente acusou o programa de explorar o termo “prova”, sem distinguir ao telespectador os conceitos jurídicos de “provas”, “meios de provas” e “instrução processual”. Assim, diz o pedido assinado pelos advogados Roberto Texeira, Cristiano Zanin Martins, Maria de Lourdes Lopes e Valeska Teixeira Martins, a emissora induziu os telespectadores ao erro, fazendo-os acreditar que eram provas irrefutáveis.

Ainda de acordo com o Conjur, os advogados da Rede Globo, Manuel Alceu Affonso Ferreira, Afranio Affonso Ferreira Neto e Andre Cid de Oliveira, afirmaram que para atingir sua missão de informar ao homem comum, deve apresentar a informação de modo acessível.

Com base nessa argumentação, o juiz concordou que não é possível exigir do veículo esmero técnico-jurídico. “A informação, para ser constitucionalmente adequada, deve ser acessível a todos. O rigorismo técnico exacerbado, mormente em questões jurídicas que mexem diretamente em assuntos do cotidiano das pessoas, significaria a negação do próprio direito à informação”, afirma na decisão.

O magistrado entendeu ainda, que as expressões utilizadas pelo programa não afirmam a culpabilidade de Lula. “”Portanto, sob este prisma, a matéria do programa Fantástico não resvalou na prática de qualquer abuso ou ilícito. Não ter sido dada a conformação jurídica desejada pela defesa às expressões empregadas na matéria não traduz, nem de longe, abuso do direito de informação, tampouco ofensa à honra, imagem, intimidade ou reputação do ex-presidente da República”, concluiu a sentença.

Outro lado

Outro questionamento feito pela defesa do ex-presidente tem relação ao tempo da reportagem dispensado ao contraditório. Para os advogados de Lula, dos 13 minutos, apenas dois foram dados à defesa.

De acordo com Dall’Olio, a reportagem abriu espaço para um contraditório verdadeiro e eficiente, ainda que com tempo reduzido. Segundo o juiz, só faria sentido dar o mesmo tempo à defesa, caso se tratasse de um debate. “A, Globo fez o quê lhe incumbia, informar; direito seu e da coletividade, exercitado de forma regular e profissional, facultando-se, ao ex-presidente da República, o contraditório, por meio de seus advogados, conduta que não lhe era exigida, por nenhuma norma legal, senão pela adoção de padrões éticos que revelam a prática do bom jornalismo”, complementou.

Outro questionamento feito pela defesa do ex-presidente faz menção ao destaque dado pelo dominical à sentença do juiz Sergio Moro. Dall’Olio entendeu que a veiculação tratava de um documento histórico.

“A notícia de um ex-presidente da República condenado à pena de prisão é motivo de destaque e repercussão em todos os veículos de comunicação ao redor do mundo, justamente porque coloca em evidência, ao público em geral, o primado de que ninguém – sem exceção – está acima da lei”, diz a sentença.

“É a própria razão de existir da matéria, uma condenação à pena de prisão, por crime contra Administração Pública (ainda que em primeiro grau de jurisdição), que lhe é moralmente desfavorável, ofensiva in terminis ao seu status dignitatis, não o exercício legítimo do dever de informar”, encerrou o juiz, ao concluir que que não houve abuso do direito de informação, tampouco lesão a direitos da personalidade humana.

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Falso repórter fotográfico engana veículos de todo o mundo e está foragido

Falso repórter

Em sua coluna no site Waves, o jornalista Fernando Costa Netto contou “uma história de cair o queixo”, conforme sua própria definição. O relato é sobre o repórter fotográfico de guerra Edu Martins, um brasileiro que se aventurava em regiões de conflito e se especializou em imagens de guerra e também de surf, esporte que afirmava ter ensinado para crianças na região de Gaza.

Martins tinha em suas redes sociais seguidores importantes, como os veículos BBC, Wall Street Journal, Al Jazeera, Le Point, Lens Culture e Vice. Como se não bastasse toda essa chancela dos principais periódicos do mundo, o fotógrafo também era seguido pelas Nações Unidas.

“Nas duas últimas vezes em que falamos, sempre pelo WhatsApp, ele me disse que estava exausto, abalado emocionalmente pelos meses em Mosul, mas que iria para Raqqa, Síria, para mais uma investida. Em seguida, voltaria ao Brasil”, relata Netto em seu texto.

O jornalista conta ainda, que a última vez em que conversou com Martins, também pelo aplicativo de mensagens, o convidou para contar sua história. “O cara de pau me respondeu: ‘Estou na Austrália. Tomei a decisão de passar um ano uma van. Vou cortar tudo, inclusive internet. Quero ficar em paz, a gente se vê quando eu voltar. Qualquer coisa, me escreve no dudumartisn23@yahoo.com. Um grande abraço, Vou deletar o zap. Fica com Deus. Um abraço’”, disse.

O que se passou a partir desse contato, foi o mais curioso. Um dia antes dessa conversa, Netto afirma ter recebido dois telefonemas de repórteres de grandes veículos – um brasileiro e outro inglês – perguntando se ele o conhecia. “eu o conhecia e achei estranho. Um deles me disse que estavam desconfiados que o correspondente freelance no Oriente Médio provavelmente não existia, que o @edu_martinsp na realidade era um perfil falso e que estavam investigando”, esclarece.

Edu Martins, na realidade, nunca existiu. E de acordo com a apuração realizada por Netto, o falso fotógrafo nunca existiu e, por mais de um ano enganou os principais veículos de comunicação do mundo e também as Nações Unidas. “Também apurei que a polícia está no caso e que, em breve, irão prendê-lo por crime na internet, danos morais, roubo de imagens e mais um monte. É uma pena. Qualquer notícia informo por aqui. Bom dia a todos”, finaliza Netto.

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Lula diz que pretende regular a imprensa se eleito: “Quero ver Bonner pedindo desculpas”

Lula do Brasil

O ex-presidente Lula disse que pretende regular a atuação da imprensa se vencer eleição presidencial em 2018. O petista disse no Rio, em discurso, no sábado, dia 12, na quadra da escola de samba Império Serrano, que não acompanha o noticiário brasileiro por se sentir perseguido.

“Não vejo mais TV e nem os jornais porque todo dia é uma desgraceira contra o Lula. Querem criar animosidade e que a sociedade esqueça que Lula existiu. Que um metalúrgico sem diploma pode fazer mais que muito doutor. Não tenho orgulho de não ter diploma, mas tenho diploma de conhecer o coração do povo”, afirmou, de acordo com relato do portal UOL.

Sobre a TV Globo em específico, Lula citou o apresentador do principal jornal da emissora: “Quero ver o William Bonner pedindo desculpas ao presidente Lula”, disse o petista”.

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