Alterações climáticas: Trump rasga acordo de Paris

No dia da eleição de Donald Trump, a comissão política do Bloco de Esquerda salientou:

A eleição de Trump é um perigo global, pela sua declaração de guerra contra o planeta, feita logo na campanha eleitoral. Os EUA, a segunda maior economia do mundo, têm agora um presidente que nega a existência de alterações climáticas e quer cancelar o acordo de Paris.

A decisão, já esperada, anunciada nesta quinta-feira, 2 de junho de 2017, por Donald Trump de rasgar o acordo de Paris, confirma a análise bloquista de novembro passado.

“Para proteger a América e os seus cidadãos, os EUA vão sair do Acordo de Paris”, afirmou Donald Trump, mas na verdade não se trata da proteção do país e dos seus cidadãos, mas da sua decrépita indústria petrolífera e dos seus poderosos acionistas.

Ao rasgar o acordo, o presidente dos EUA diz demagogicamente que está pronto para negociar um novo acordo sobre o clima “em termos justos para os Estados Unidos”, quando são os EUA os maiores responsáveis pelas alterações climáticas e atualmente o segundo país que mais negativamente contribui.

“A partir de hoje os EUA vão cessar a aplicação de todos os termos do Acordo do Clima de Paris”, disse Trump, mas anunciou logo a disposição em entrar de imediato em negociações. “Vamos sair, mas vamos começar logo a negociar para fazer um negócio que seja justo para os EUA”, afirmou o presidente norte-americano, mas foi também dizendo “Se conseguirmos, óptimo. Se não conseguirmos, também está tudo bem”.

Como afirmou Michael Löwy, em entrevista ao esquerda.net: “Trump representa a oligarquia fóssil e o negacionismo climático, a receita para a catástrofe ecológica”.

Em resposta à declaração de Donald Trump, França, Itália e Alemanha emitiram um comunicado conjunto afirmando que o acordo de Paris não pode ser renegociado. “Consideramos que o impulso gerado em dezembro de 2015 em Paris é irreversível e acreditamos firmemente que o Acordo de Paris não pode ser renegociado, pois é um instrumento vital para o nosso planeta, sociedades e economias”, afirmaram os três países em comunicado, segundo o Público.

Fonte: Bloco de Esquerda

Trump quer fazer o quê??

Trump

Dentro de poucos dias, o presidente Trump poderá retirar os EUA do Acordo Climático de Paris! A única maneira de evitar sua saída é ter certeza que outras seis potências globais, que também assinaram o acordo, sejam um obstáculo.

Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido se encontrarão na cúpula anual do G7. Todos os líderes, com exceção de Trump, comprometeram-se em proteger o Acordo, mas isso não garante que eles resistam à pressão que Trump pode exercer durante as reuniões de bastidores. Por isso, temos que expor esse absurdo e dizer: nem a pau!

Esse acordo é nosso. Ele foi assinado por 197 países e não podemos permitir que Trump o destrua. Clique para exigir que os líderes protejam o Acordo e compartilhe com todo mundo: Diga aos líderes do G7 para proteger o movimento global pelo clima.

Pesquisas recentes mostram que o planeta está aquecendo ainda mais rapidamente do que se sabia na época em que assinaram o Acordo Climático de Paris. Temos que agir depressa contra as mudanças climáticas, sem perder um minuto sequer com a ignorância de Trump e sua obsessão com os combustíveis fósseis.

Urso polarAlemanha, Itália e França disseram que vão continuar lutando pelo clima. No entanto, os primeiro-ministros do Canadá, Justin Trudeau, e do Reino Unido, Theresa May, estão dando sinais assustadores de que podem se curvar perante o Trump. Por isso é crucial reivindicar que todos os seis líderes se comprometam em respeitar as metas do Acordo de Paris independentemente da permanência ou não dos EUA, e que Trump sofra consequências caso siga adiante com seu plano.

Se divulgarmos ao máximo esse caso e colocar o peso da decisão sobre os outros líderes do G7, eles podem se sentir responsáveis e se comprometer ainda mais com o combate às mudanças climáticas. Vamos provar a Trump e seus comparsas a favor dos combustíveis fósseis que se colocarem nosso planeta em perigo, nosso movimento irá revidar e seguiremos em frente. Diga aos líderes do G7 para proteger o movimento global pelo clima.

Tudo o que amamos está em perigo. Lutamos durante anos para que acordos climáticos fossem aprovados e agora, por causa do Trump, estamos sob ameaça de perder tudo. Isso não pode acontecer. Para impedi-lo, será necessário ação coletiva com a participação de cada um de nós. Vamos nos manter fortes e unidos para proteger nosso futuro.

Com esperança e determinação, Alice, Iain, Marigona, Nick, Fatima, e toda a equipe da Avaaz.

Mais informações

O impacto devastador das mudanças climáticas na Etiópia

A Etiópia enfrenta uma das piores secas em três décadas. Seis milhões de crianças estão vulneráveis à fome, falta de água e doenças. O acesso à água segura para o consumo pode protegê-las destes riscos e garantir a permanência na escola. Confira nesse vídeo do UNICEF.

Perguntas frequentes sobre deslocamentos por mudanças climáticas e catástrofes naturais

América do Sul

Na medida em que as atividades da 22ª Conferência das Partes (COP22) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) ocorrem em Marrakesh, no Marrocos, seguem abaixo respostas para algumas perguntas frequentes sobre mudanças climáticas e deslocamento.

1. Quantas pessoas já foram deslocadas pelas mudanças climáticas?

Uma média anual de 21,5 milhões de pessoas foram forçadas, a cada ano desde 2008, a se deslocar por causa de intempéries como inundações, tempestades, incêndios florestais, temperaturas extremas.

Milhares de outras pessoas fogem de suas casas no contexto de situações de risco, cujo processo é mais lento, tais como secas ou erosão costeira ligada ao aumento do nível do mar. Existe um alto consenso entre os cientistas de que a mudança climática, em combinação com outros fatores, deverá aumentar o deslocamento de pessoas no futuro.

A mudança climática é também um “multiplicador de ameaças” em muitos dos conflitos atuais, do Sudão do Sul à Somália, do Iraque à Síria. A Primavera Árabe é comumente vista como um acontecimento que levou ao conflito da Síria, mas as pessoas tendem a esquecer da seca de cinco anos no nordeste do país que precedeu a guerra e gerou o deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas.

2. Quais regiões enfrentam maior risco?

Nenhuma região está imune às mudanças climáticas, mas os riscos de deslocamento são maiores para países com alta exposição a perigos e com grandes populações em áreas que não tem capacidade ou recursos para se preparar adequadamente.

A Ásia vivencia mais desastres naturais do que qualquer outra região — em 2015, 85% das pessoas deslocadas por desastres de início súbito estavam no sul e no leste da Ásia. Por exemplo, as inundações nos estados indianos do sul de Tamil Nadu e Andhra Pradesh causaram o deslocamento de 1,8 milhão de pessoas, enquanto o ciclone Komen e as inundações de monção em Mianmar e na Índia levaram, respectivamente, ao deslocamento de 1,6 milhão e 1,2 milhão de pessoas.

No entanto, a Ásia é a região com o maior percentual da população global. Ao considerar o tamanho da população, Vanuatu e Tuvalu foram os mais atingidos em 2015, quando o ciclone Pam deslocou, respectivamente, 55% e 25% das populações dos países. Em geral, os países de baixa e média renda têm o maior número de deslocamentos ligados a desastres, incluindo o contexto das mudanças climáticas.

3. O que é um refugiado por mudanças climáticas?

O termo “refugiado climático” é inapropriado porque, no direito internacional, a palavra “refugiado” descreve pessoas que fogem da guerra ou da perseguição e que atravessaram uma fronteira internacional. As mudanças climáticas afetam as pessoas dentro de seus próprios países, e geralmente criam deslocamento interno antes que atinjam um nível no qual são obrigadas a cruzar fronteiras. Por conseguinte, é preferível fazer referência às “pessoas deslocadas no contexto das mudanças climáticas”.

4. Quantas pessoas serão deslocadas por mudanças climáticas no futuro?

É difícil dizer. O que sabemos é que a extensão e a seriedade do deslocamento muitas vezes dependem do quanto os países estão preparados e de sua capacidade para mitigar os efeitos. Esperamos que a COP22 em Marrakesh ajude a garantir mais rapidez para essas respostas.

5. Como o Acordo de Paris aborda o deslocamento?

O Acordo de Paris inclui três importantes elementos sobre as questões de deslocamento e mobilidade humana.

O preâmbulo do acordo reconhece que a mudança climática é uma preocupação comum à humanidade e inclui uma referência a migrantes, solicitando às partes que respeitem, promovam e considerem suas respectivas obrigações em relação aos migrantes, e outros, ao tomar medidas para lidar com a mudança climática.

O Acordo de Paris contém muitas referências à proteção de pessoas, resiliência de comunidades e a importância dos meios de subsistência. Esses são pontos de acesso essenciais para abordar as causas profundas do deslocamento forçado, como o acesso à água, alimentos, energia e a necessidade de oportunidades de subsistência para permitir que as pessoas permaneçam onde vivem.

Por fim, o Acordo de Paris solicita ao Comitê do Mecanismo Internacional de Varsóvia sobre Perdas e Danos a criação de uma força-tarefa sobre deslocamento. Este grupo de trabalho “desenvolverá recomendações para abordagens integradas com o objetivo de evitar, minimizar e lidar com o deslocamento relacionado com os impactos adversos da mudança climática”. Isso também é um reconhecimento dos perigos do deslocamento e das mudanças climáticas como um fator de deslocamento.

6. O que o ACNUR quer que aconteça na COP22?

O ACNUR gostaria de ver as seguintes questões sendo abordadas em Marrakesh:

  • Recursos suficientes oferecidos para a implementação bem-sucedida e em tempo hábil da força tarefa do Mecanismo Internacional de Varsóvia sobre deslocamento. Mobilidade humana incorporada aos instrumentos de planejamento dos Estados, tais como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
  • Comprometimento dos Estados em apoiar as comunidades já deslocadas no contexto de desastres e também a tomar medidas para prevenir e reduzir o risco de deslocamento futuro.
  • Reforço à resiliência das populações em maior risco para permitir que permaneçam onde estão.
  • Que os países recebam aconselhamento técnico para se prepararem para o deslocamento de populações que estão atualmente fora de perigo e que isso seja feito em plena consulta com todas as populações afetadas.

Fonte: ONU Brasil

Por que combater a mudança climática? A ONU responde!

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU número 13 diz: “Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos”. Ele é um dos 17 objetivos globais adotados em setembro de 2015 – e acordado por todos os 193 países na ONU. Mas por que ele é importante? Confira nesse post algumas resposta sobre o tema.

Por que esse objetivo foi adotado?

A mudança climática é causada por atividades humanas e seus impactos estão ameaçando a maneira como vivemos – e o futuro do nosso planeta. Ao abordarmos as mudanças climáticas, podemos construir um mundo sustentável para todos e para o futuro. Mas precisamos agir agora.

A vida das pessoas está realmente sendo afetada pelas mudanças climáticas?

Sim. O clima severo e o aumento do nível do mar estão afetando as pessoas e suas propriedades nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Desde o agricultor familiar nas Filipinas até um empresário em Londres, a mudança climática está afetando todos – e especialmente os mais pobres e vulneráveis, bem como grupos marginalizados, como mulheres, crianças e idosos.

O que acontece se não agirmos?

Se não for controlada, a mudança global do clima promoverá o retrocesso de uma grande parte dos progressos realizados nos últimos anos em termos de desenvolvimento. Também pode exacerbar, como já vemos, ameaças atuais – como a escassez de alimentos e água, que potencialmente leva a conflitos.

Não fazer nada nos custará muito mais do que se agirmos agora. Temos a oportunidade de tomar medidas que conduzirão a mais postos de trabalho, maior prosperidade e uma vida melhor para todas e todos, reduzindo as emissões de gases de efeito de estufa e construindo a resiliência climática.

Podemos resolver esse problema ou é tarde demais para agir?

Podemos, definitivamente, lidar com as mudanças climáticas, mas temos de ampliar muito nossos esforços. O mundo deve transformar seus sistemas de energia, indústria, transporte, alimentos, agricultura e silvicultura para garantir que possamos limitar o aumento da temperatura global para bem abaixo de 2 graus, talvez até 1,5.

Precisamos também antecipar, adaptar e nos tornar resilientes aos impactos atuais e futuros das mudanças climáticas.

Em dezembro de 2015, o mundo deu um primeiro passo significativo ao adotar o Acordo de Paris, no qual todos os países se comprometeram a tomar medidas para lidar com as mudanças climáticas. Ele entrou em vigor no dia 4 de novembro de 2016, e a COP22 será o primeiro grande momento para sua implementação.

Muitas empresas e investidores também estão se comprometendo a reduzir suas emissões por meio da Agenda de Ação Climática – um esforço coordenado e informal nascido na Cúpula sobre o Clima de 2014, em Nova York, que reúne governos, empresas e sociedade civil para adotar novas iniciativas que promovam as ações climáticas.

Quanto custaria para resolver esse problema?

A maneira de pensar sobre isso não é em termos de quão dispendiosa ela será, mas o quanto precisamos investir e quais as oportunidades de investimento existem para lidar com a mudança climática.

No total, o investimento público e privado em energia limpa deve atingir pelo menos 1 trilhão de dólares por ano até 2030, e mais para construir a resiliência climática. Isso soa muito, mas considere que dos 1,6 trilhão de dólares investidos no fornecimento global de energia em 2013, quase 70% estavam relacionados a combustíveis fósseis.

Além disso, os custos estimados da mitigação não levam em conta os benefícios da redução das mudanças climáticas. Os investimentos de apenas 6 bilhões de dólares em redução de risco de desastres nos próximos 15 anos resultariam em benefícios totais de 360 bilhões de dólares em termos de perdas evitadas ao longo da vida útil desses investimentos.

Atuando agora, salvamos vidas, economizamos dinheiro e evitamos retrocessos no progresso alcançado até hoje.

O que posso fazer para ajudar a alcançar esse objetivo?

Há muitas coisas que cada um de nós pode fazer como indivíduos. Acompanhe as iniciativas da ONU no seguinte link: https://nacoesunidas.org/tema/ods13.

Fonte: ONU Brasil