Devo retirar os dentes do siso se eles não estão doendo?

Dente do siso

Você deve retirar seus dentes sisos mesmo se eles não estiverem lhe causando dor? Há muita polêmica sobre este assunto, e mesmo os dentistas não conseguem chegar a um consenso. Por isso, o Dr. Hossein Ghaeminia, cirurgião bucal e maxilofacial da Universidade de Radboud (Holanda), decidiu adotar uma abordagem alternativa e verificar quais são os riscos de complicações ao se remover um dente do siso.

A ideia era verificar se a abordagem “extrair para evitar eventuais complicações futuras” não estaria trocando o duvidoso pelo certo, ou seja, um dano imediato em troca de um problema que poderia nunca ocorrer.

Análise caso a caso

O Dr. Ghaeminia começou realizando uma revisão sistemática do que já foi pesquisado neste campo, isto é, verificando todas as publicações científicas sobre o assunto. Como não encontrou provas suficientes para chegar a uma conclusão, ele realizou seus próprios experimentos.

A conclusão geral é não há uma resposta definitiva para a pergunta “Devo extrair meus dentes do siso que não causam dor” porque cada paciente deve ser considerado individualmente – o que pode causar complicações para um paciente não necessariamente irá incomodar outro.

“Por um lado, a intervenção cirúrgica é acompanhada por um risco de complicações, como infecções e danos ao nervo sensorial dos lábios e do queixo. Por outro lado, deixar um dente do siso sem problema no lugar pode, eventualmente, levar a mais danos aos dentes vizinhos,” explicou Ghaeminia.

Água filtrada em vez de antibiótico

Em termos estatísticos, a complicação mais frequente após a remoção de dentes do siso é a infecção. Ghaeminia então examinou quais fatores contribuem para o risco de infecção: “Pessoas com 26 anos ou mais e mulheres correm maior risco de infecção, mas fumar também parece ser um fator de risco”.

Ele também analisou se a infecção poderia ser prevenida simplesmente lavando a cavidade que continha o dente com água pura, como alguns dentistas alegam. De fato, ele comprovou a eficácia da medida.

“Em comparação com outras opções, como antibióticos, enxaguar com água filtrada é uma maneira relativamente barata e simples de prevenir a infecção após a remoção do dente. Os pacientes também podem fazer isso em casa,” recomendou Ghaeminia.

Diário Saúde

Limpar as mãos: água fria, água quente ou muito sabão?

Lavar as Mãos

É muito certo que lavar as mãos evita que espalhemos germes e fiquemos doente.

Mas sempre houve uma crença de que a água quente seria mais capaz de remover as bactérias do que a água fria. É mais um mito que cai por terra, um mito eventualmente criado pela sensação mais agradável que é lavar as mãos em uma água não muito fria.

“As pessoas precisam se sentir confortáveis quando estão lavando as mãos, mas em termos de eficácia [em remover bactérias], este estudo nos mostra que a temperatura da água utilizada não importa,” garante o professor Donald Schaffner, da Universidade Rutgers (EUA).

Água, sabão e esfregação

A Importância de Lavar as MãosPara chegar a essa conclusão, a equipe despejou altos níveis de bactérias inofensivas nas mãos de 21 voluntários, várias vezes ao longo de um período de seis meses. Em cada caso, eles a seguir lavavam as mãos em água com temperaturas de 15º C, 26º C ou 38º C, usando 0,5 ml, 1 ml ou 2 ml de sabão.

Curiosamente, nem o aumento da temperatura da água e nem um maior volume de sabão influíram significativamente na eliminação das bactérias. O que realmente fez a diferença foi lavar as mãos, esfregando uma na outra sob a água, por pelo menos 10 segundos.

“Embora não haja diferença entre a diversas quantidades de sabão utilizadas, é necessário estudar mais para entender exatamente quanto e o tipo de sabão necessário para remover micróbios nocivos das mãos,” disse Jim Arbogast, coautor da pesquisa. “Isso é importante porque a maior necessidade de saúde pública é aumentar a lavagem das mãos ou a desinfecção das mãos por trabalhadores na área de alimentos e pelo público antes de comer, antes de preparar os alimentos e depois de usar o banheiro.”

Recomendações

A agência de saúde norte-americana (FDA) tem entre suas diretrizes atuais a recomendação de que estabelecimentos que forneçam alimentos e restaurantes disponibilizem água a 38º C para lavagem das mãos. Este estudo não dá suporte a essa recomendação.

Os resultados foram publicados na edição de junho do Journal of Food Protection.

Diário Saúde

Falta de vitamina D na população por excesso de protetores solares

Vitamina D

Os resultados de uma revisão clínica publicada no Jornal da Associação Osteopática Norte-Americana revelam que quase 1 bilhão de pessoas em todo o mundo podem ter níveis deficientes ou insuficientes de vitamina D devido a doenças crônicas e à exposição solar inadequada relacionada ao uso de protetores solares.

“As pessoas estão gastando menos tempo lá fora e, quando saem, costumam usar protetor solar, o que basicamente anula a capacidade do organismo de produzir vitamina D,” disse o professor Kim Pfotenhauer, da Universidade Touro. “Embora queiramos que as pessoas se protejam contra o câncer de pele, há níveis saudáveis e moderados de exposição desprotegida ao Sol que podem ser muito úteis para aumentar a vitamina D.”

O Dr. Pfotenhauer afirma também que doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e aquelas relacionadas à má absorção, incluindo doença renal, doença de Crohn e doença celíaca, inibem a capacidade do corpo para metabolizar a vitamina D a partir de fontes alimentares.

Insuficiência ou deficiência de vitamina D

A vitamina D – na verdade considerada um hormônio, e não exatamente uma vitamina – é produzida quando a pele é exposta à luz solar. Existem receptores de vitamina D em praticamente todas as células do corpo humano. Como resultado, ela desempenha um amplo papel nas funções do organismo, incluindo a modulação do crescimento celular, neuromuscular e da função imunológica, e a redução da inflamação.

Os sintomas de insuficiência ou deficiência de vitamina D incluem fraqueza muscular e fraturas ósseas. Pessoas que apresentam esses sintomas ou que têm doenças crônicas que sabidamente diminuem a vitamina D devem ter seus níveis verificados e, se forem baixos, discutir opções de tratamento. No entanto, o rastreio universal não é necessário e nem prudente na ausência de sintomas significativos ou de doenças crônicas, dizem os responsáveis pela meta-análise, que reavaliou todos os estudos científicos disponíveis até o momento.

A boa notícia é que aumentar e manter níveis saudáveis de vitamina D pode ser tão fácil quanto passar de 5 a 30 minutos ao Sol duas vezes por semana. O tempo apropriado depende da localização geográfica de uma pessoa e da pigmentação da pele – peles mais claras sintetizam mais vitamina D do que peles mais escuras. É importante não usar protetor solar durante essas sessões porque fatores de proteção solar iguais ou maiores do que 15 diminuem a produção de vitamina D3 em até 99%.

“Você não precisa ir tomar banho de sol na praia para obter os benefícios,” disse o Dr. Pfotenhauer. “Uma simples caminhada com braços e pernas expostos é suficiente para a maioria das pessoas.”

Apesar de inúmeros estudos recentes mostrarem que a vitamina D tem mais benefícios do que se imaginava e que os benefícios de tomar Sol superam o risco de câncer de pele, está difícil contrapor o bom-senso a uma divulgação exagerada do uso de protetores solares. Mas parece valer a pena.

“A ciência tem tentado encontrar uma correspondência um-para-um entre os níveis de vitamina D e doenças específicas,” disse o Dr. Pfotenhauer. “Dado o papel geral da vitamina D no corpo, eu acredito que a vitamina D em níveis suficientes tem mais a ver com a saúde geral.”

Atualmente, a insuficiência de vitamina D no organismo é definida como entre 21 e 30 ng/ml (nanogramas por decilitro) e a deficiência é considerada abaixo de 20 ng/ml.

Fonte: Diário Saúde

Como detectar e lidar com risco de suicídio entre adolescentes

Suicídio entre adolescentes - Cenas do seriado 13 Reasons Why

Sentimentos de desesperança podem surgir em conversas, então considere que o adolescente possa estar falando sobre sua vida.

A nova série do Netflix “13 Reasons Why” segue uma estudante colegial que acaba com a sua vida, através do suicídio, após uma série de eventos adolescentes traumáticos, mas comuns. O personagem principal, uma jovem de 17 anos, libera uma série de gravações de áudio que detalham as circunstâncias que antecederam sua morte.

A série de ficção, baseada em um romance adulto jovem de 2007, foi amplamente criticado e discutido nos meios de comunicação, entre pais e profissionais de saúde mental e pelos jovens. Alguns dizem que o programa glorifica o suicídio. A cantora e atriz Selena Gomez, produtora executiva do show, que tem ela própria lutado contra a depressão, diz que a série era mesmo para provocar uma discussão realista.

Ainda assim, “é difícil evitar o sensacionalismo sobre o suicídio,” diz Meg Jennings, da Universidade de Michigan (EUA), que é especialista em suicídios de adolescentes. Ela explicou alguns dos sinais de alerta para que os pais e amigos fiquem atentos.

Sinais de alerta para o suicídio

Sentimentos de desesperança podem surgir em conversas, então considere que o adolescente possa estar falando sobre sua vida. Se perceber que o jovem está se sentindo sobrecarregado só de pensar em viver, é hora de buscar ajuda, diz Jennings.

Outro sinal sugestivo é o pensamento polarizado ou distorcido – em outras palavras, a crença de que as coisas são apenas preto ou branco, bom ou ruim, tudo ou nada. O interesse em atividades favoritas pode desaparecer. Esses adolescentes também passam a sofrer de insônia, bem como ansiedade ou pânico.

Outros sinais incluem comportamento imprudente, agressividade, aumento do uso de álcool ou drogas, visitas a entes queridos para se despedir, ou dar embora objetos pessoais de valor.

“Ao avaliar o risco, é importante saber quão impulsiva essa pessoa é. Ela está se comportando irresponsavelmente? Por exemplo, alguém chateado com os pais pode abrir a porta do carro e tentar sair do veículo, enquanto está em movimento,”, diz Jennings.

A necessidade de vigilância

Alguém que é potencialmente suicida vai falar sobre a morte e sobre não ter razões para viver. O indivíduo pode se ver como um fardo enorme, fazendo comentários como, “Quando eu me for, as coisas vão melhorar para todo mundo.”

A pessoa pode ter uma dor tão insuportável, que não vê esperança para o futuro. Muitas vezes, aqueles que pensam em suicídio sentem que continuar a viver é uma realidade esmagadora ou insuportável.

Mas essa perspectiva também pode mudar.

“Às vezes, se alguém com este perfil está de bom humor pode ser porque já decidiu se suicidar,” alerta Jennings. “É uma boa ideia ficar atento se você interagiu com alguém que estava se sentindo profundamente inútil apenas alguns dias antes”.

É preciso agir imediatamente se a pessoa está falando sobre um plano específico para acabar com sua própria vida, acrescenta Jennings.

Como intervir

Não ignore os sinais. Isto não é o comportamento normal de um adolescente, diz Jennings. Coloque a pessoa em contato com um profissional de saúde mental e, sendo da família, agende uma avaliação. Fale para esse adolescente que você se importa com ele e deseja obter suporte. Não dê sermões.

A necessidade de orientação profissional funciona dos dois lados, diz a especialista: “Os pais precisam lembrar que eles provavelmente vão precisar de apoio também. É muito estressante conviver com um adolescente suicida. Procure ajuda para si mesmo, assim que for possível”.

Enquanto isso, crie um espaço seguro para o adolescente conversar sobre essas questões. É normal para os adolescentes sentirem medo ou até mesmo ficarem zangados. É importante apoiar esse adolescente e dizer que você entende o quão sem esperança ele ou ela está se sentindo, finalizou Jennings.

Fonte: Diário Saúde

Doença emergente que afeta gatos pode atingir humanos

Brasil vive epidemia de Esporotricose

A esporotricose, doença emergente que afeta gatos, pode atingir os humanos.

Há uma doença emergente que se alastra pelo Brasil, mas da qual pouco se tem falado, a não ser no Rio de Janeiro. A micose causadora de lesões sérias e potencialmente fatais quando não tratadas em tempo hábil, surge inicialmente em gatos, mas pode se alastrar para os seres humanos.

A doença se chama esporotricose e é causada por um fungo que vive naturalmente no solo, o Sporothrix sp.. Por meio de unhadas (o termo técnico é “arranhadura”), os gatos infectados transmitem o fungo a outros felinos, a cães e também a seus donos. As lesões em humanos e cães geralmente não são tão severas como nos felinos e raramente impõem risco à vida. Mesmo em gatos, que são mais afetados, a doença tem cura, mas o tratamento é caro e demorado.

“No Brasil, a esporotricose humana não é uma doença de notificação compulsória e, por isso, a sua exata prevalência é desconhecida,” explica a veterinária Isabella Dib Gremião, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, ligado à Fiocruz.

“Desde julho de 2013, devido ao status hiperendêmico da esporotricose no Rio de Janeiro, a doença se tornou de notificação obrigatória no estado. Apenas no INI/Fiocruz, unidade de referência no Rio de Janeiro, mais de 5 mil casos humanos e 4.703 casos felinos foram diagnosticados até 2015,” contou a pesquisadora.

Doença dos jardineiros

No Brasil, o problema parece que o fungo Sporothrix brasiliensis é o agente etiológico mais prevalente, embora o S. schenckii também seja encontrado em menor proporção. Não se sabe como o Sporothrix brasiliensis começou a infectar os gatos. Até o aumento no número de casos no Rio de Janeiro, a esporotricose era considerada uma doença muito esporádica e ocupacional.

A esporotricose também é conhecida como a “doença dos jardineiros”, pelo fato de os primeiros casos diagnosticados nos Estados Unidos no fim do século 19 terem sido entre plantadores de rosas. O fungo ocorre naturalmente no solo e sobre a superfície de plantas como a roseira. No caso norte-americano, os pacientes se infectaram ao se arranhar em seus espinhos.

“A doença tradicionalmente acometia uma a duas pessoas ao ano. Mas em 1998 o total de casos no Rio de Janeiro começou a crescer,” conta o professor Zoilo Pires de Camargo. Do Rio de Janeiro, a doença se espalhou para outras cidades fluminenses, e de lá para outros estados. A recente emergência da esporotricose felina na região metropolitana de São Paulo já é responsável por 1.093 casos confirmados nos últimos anos.

Já há casos de esporotricose em todo o Sudeste e o Sul do Brasil. Começam também a se manifestar na região Nordeste e no exterior. Em Buenos Aires, em 2015, foram relatados cinco casos humanos positivos.

Apesar de existir outras espécies de fungos do gênero Sporothrix espalhadas pelo mundo e que também provocam a doença, segundo os pesquisadores a epidemia brasileira é única, pelo agente etiológico a atacar felinos, por ter se tornado uma zoonose a partir do momento que os gatos passaram a transmitir o fungo aos humanos e pelo expressivo número de casos.

Antifúngicos

O medicamento de referência para a esporotricose é o antifúngico itraconazol, de preço elevado. A cada mês e ao longo de seis meses são necessárias no mínimo quatro caixas: duas para tratar o animal e outras duas para o tutor, caso este esteja doente. Como todo proprietário de gatos sabe, por mais queridos que sejam seus bichanos eles arranham, principalmente em situação de estresse como na hora de dar remédio.

Enquanto não estiver livre do fungo, o gato pode continuar transmitindo a doença. Após o primeiro ou o segundo mês de tratamento, geralmente as lesões desaparecem, mas o fungo não. “A interrupção do tratamento antes de seis meses pode levar ao ressurgimento das lesões,” disse Camargo.

Não se conhece a razão pela qual os gatos são tão suscetíveis ao Sporothrix brasiliensis nem porque neles a doença é tão grave. Um gato com lesões pode ter o fungo em suas garras. Ao brigar com outro gato, um cão ou perseguir um rato, ele passa o fungo por meio de arranhaduras. O fungo presente nas lesões destrói progressivamente a epiderme, a derme, o colágeno, os músculos e até ossos. Além disso, o fungo pode acometer os órgãos internos, agravando o quadro clínico.

“Quando o animal chega a essas condições, é comum ele ser abandonado pelos donos. Vai para a rua e alimenta a cadeia de transmissão. Se o gato morre, ele é enterrado no quintal ou num lixão, que serão contaminados pelo fungo presente no cadáver”, disse Isabella.

Diário Saúde

Pobreza e poluição matam 1,7 milhão de crianças por ano

Pobreza

Mais de uma em cada quatro mortes de crianças menores de 5 anos são atribuíveis a ambientes insalubres, de acordo com dois novos relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Todos os anos, os riscos ambientais – como a poluição do ar interior e exterior, fumo passivo, água não segura, falta de saneamento e higiene inadequada – tiram a vida de 1,7 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade.

O primeiro relatório, intitulado “Herdando um Mundo Sustentável: Atlas da Saúde Infantil e do Ambiente”, revela que grande parte das causas mais comuns de morte entre crianças de um mês a 5 anos – diarreia, malária e pneumonia – são evitáveis, como o acesso à água potável e ao uso de combustíveis de cozinha limpos.

“Um ambiente poluído é mortal – particularmente para crianças pequenas. Seus órgãos e sistemas imunológicos em desenvolvimento, corpos menores e vias aéreas tornam as crianças especialmente vulneráveis ao ar e água sujos,” afirmou Margaret Chan, Diretora-Geral da OMS.

Exposições nocivas podem ter início no útero da mãe, o que aumenta o risco de nascimento prematuro. Além disso, quando o bebê e as crianças em idade pré-escolar são expostos à poluição do ar interior e exterior e fumo passivo, têm um risco aumentado de pneumonia na infância e de desenvolvimento de doenças respiratórias crônicas ao longo da vida, como a asma. A exposição à poluição atmosférica pode também aumentar o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e câncer no curso de vida.

 

Mortes infantis evitáveis

Pobreza e poluição

Cinco principais causas de morte em crianças menores de 5 anos ligadas ao ambiente.

O relatório complementar, intitulado “Não Polua meu Futuro! O Impacto do Ambiente sobre a Saúde Infantil” fornece uma visão abrangente do impacto ambiental na saúde das crianças, ilustrando a escala do desafio. Todos os anos:

  • 570 mil crianças com menos de 5 anos morrem por infecções respiratórias, como por exemplo a pneumonia, atribuível à poluição do ar interno e externo e ao fumo passivo;
  • 361 mil crianças com menos de 5 anos morrem por diarreia, como resultado da falta de acesso à água potável, saneamento e higiene;
  • 270 mil crianças morrem durante seu primeiro mês de vida devido à condição de saúde, incluindo a prematuridade, que poderia ser prevenida por meio do acesso à água potável, saneamento e higiene em unidades de saúde, bem como a redução da poluição do ar;
  • 200 mil mortes de crianças com menos de 5 anos por malária poderiam ser evitadas por meio de ações ambientais, como a redução de criadouros de mosquitos ou armazenamento de água potável;
  • 200 mil crianças com menos de 5 anos morrem por lesões não-intencionais atribuíveis ao ambiente, como intoxicações, quedas e afogamentos.

Ameaças ambientais emergentes

Pobreza e criançaCom a mudança climática, as temperaturas e os níveis de dióxido de carbono estão aumentando, favorecendo também o aumento do pólen, que está associado ao crescimento das taxas de asma em crianças. Em todo o mundo, de 11 a 14% das crianças com 5 anos ou mais relatam atualmente sintomas de asma e cerca de 44% delas estão relacionadas às exposições ambientais. A poluição do ar, a fumaça do tabaco (fumo passivo), o mofo e a umidade internos tornam a asma mais grave em crianças.

Nas famílias sem acesso aos serviços básicos, como água potável e saneamento, ou que estão expostas à fumaça proveniente do uso de combustíveis impuros – como carvão ou esterco para cozinhar e aquecer -, as crianças correm um maior risco de apresentarem diarreia e pneumonia.

Crianças também são expostas a produtos químicos nocivos por meio de alimentos, água, ar e produtos próximos a elas. Químicos como fluoreto, chumbo e pesticidas com mercúrio, poluentes orgânicos persistentes e outros em bens manufaturados, eventualmente encontrão seu caminho para a cadeia alimentar. E, embora a gasolina com chumbo tenha sido gradualmente eliminada em todos os países, o chumbo ainda é amplamente utilizado nas tintas, afetando o desenvolvimento do cérebro.

Outra preocupação citada pelos relatórios está nas ameaças ambientais emergentes, como os resíduos eletrônicos e elétricos (por exemplo, os celulares antigos) que são impropriamente reciclados e expõem crianças a toxinas que podem levar a uma redução da inteligência, déficits de atenção, danos no pulmão e câncer. Prevê-se que a geração dos resíduos eletrônicos e elétricos aumente em 19% entre 2014 e 2018 – para 50 milhões de toneladas até 2018.

Diário Saúde

Ler a mente e compartilhar pensamentos está próximo da realidade

Ler mente Professor Xavier X-Man

A primeira comunicação cérebro a cérebro “verdadeira” entre duas pessoas poderá ser realizada já no próximo ano, de acordo com expectativas da equipe do professor Andrea Stocco, da Universidade de Seattle (EUA).

As primeiras tentativas não vão se assemelhar muito à telepatia, como muitas vezes imaginamos. Isto porque o cérebro de cada um de nós funciona de maneira única, e a forma como cada um de nós pensa sobre um conceito é influenciada por nossas experiências e memórias.

O resultado é que os padrões de atividade cerebral que os equipamentos atuais conseguem medir, para fazer coisas como controlar equipamentos pelo pensamento, são muito diferentes de pessoa para pessoa.

É por isso que os equipamentos atuais exigem uma longa curva de aprendizado, com o usuário e o programa de computador precisando ser treinados para reconhecer como o cérebro sinaliza coisas simples, como “mova o braço” ou “feche os olhos”.

Treinamento cerebral

Mas, se os neurocientistas conseguirem aprender os padrões de um indivíduo, eles podem ser capazes de desencadear certos pensamentos no cérebro dessa pessoa. E, em teoria, eles poderiam capturar a atividade cerebral de uma pessoa, interpretá-la, e então traduzir o comando na forma de sinais neurais de outra pessoa, e então desencadear aqueles pensamentos nesta segunda pessoa.

Até agora, os pesquisadores conseguiram que dois voluntários, usando um capacete com sensores que realizam exames contínuos de eletroencefalograma, e sentadas em salas diferentes, jogassem uma partida de um jogo de 20 perguntas em um computador. Os participantes transmitiram respostas “sim” ou “não”, desencadeando uma corrente elétrica no cérebro do outro mediante uma técnica chamada estimulação magnética transcraniana.

Indo além, pode ser possível detectar certos processos de pensamento, e usá-los para influenciar os pensamentos de outra pessoa, incluindo decisões simples, como sentar, levantar ou mexer ou não a mão.

Treinar roupas robóticas

Outra abordagem que está sendo explorada consiste em reunir em um único dispositivo eletrônico a atividade cerebral de vários indivíduos. Isso já foi feito com animais. Três macacos com implantes cerebrais aprenderam a pensar juntos, cooperando para controlar e mover um braço robótico.

Um experimento similar foi realizado com camundongos, conectando seus cérebros em um “rede cerebral”.

O próximo passo é desenvolver um equivalente humano que não requeira cirurgia invasiva para colocação de implantes no cérebro, como tem sido feito com os animais. A ideia é que os voluntários só utilizem os capacetes de eletroencefalograma, que são feios e desajeitados, mas que são o melhor de que dispomos.

Os primeiros usuários provavelmente serão pessoas paralisadas.

A médio prazo, os neurocientistas esperam incorporar essa “rede cerebral” em uma roupa robótica, por exemplo, que poderá permitir que essas pessoas com paralisia obtenham ajuda de outra pessoa para treinar os exoesqueletos que finalmente lhes permitirão recuperar os movimentos.

Fonte: Diário Saúde com informações da New Scientist

Desenvolvida vacina contra a febre chikungunya

febre chikungunya

Vacina de vírus de insetos

Pesquisadores da Universidade do Texas anunciaram o desenvolvimento da primeira vacina para a febre chikungunya, que agora começará a ser avaliada em testes clínicos. A vacina foi feita a partir de um vírus específico de insetos, que não tem qualquer efeito conhecido sobre os humanos, o que tornaria a vacina segura e eficaz.

Nos testes em laboratório, a vacina produziu rapidamente uma forte defesa imunológica e protegeu completamente camundongos e primatas não-humanos da doença quando expostos ao vírus chikungunya.

Esta vacina oferece proteção eficiente, segura e acessível contra chikungunya e estabelece os fundamentos para o uso de vírus que só infectam insetos para desenvolver vacinas contra outras doenças transmitidas por insetos,
disse o professor Scott Weaver

Vacinas: riscos x eficácia

Desenvolvida primeira vacina contra a febre chikungunyaTradicionalmente, o desenvolvimento de vacinas envolve opções mutuamente excludentes, sobretudo entre a rapidez com que a vacina funciona e a segurança para quem toma. Vacinas vivas atenuadas, feitas com versões enfraquecidas de um patógeno vivo, tipicamente oferecem imunidade rápida e duradoura, mas têm mais riscos. Por outro lado, a incapacidade das vacinas inativadas para se replicar aumenta a segurança à custa da eficácia, muitas vezes exigindo várias doses e reforços para funcionar adequadamente.

Pode haver um risco de doença com os dois tipos de vacina, seja pela inativação incompleta do vírus ou pelo enfraquecimento incompleto ou instável do vírus vivo, que é reconhecido quando indivíduos com uma vulnerabilidade bastante rara desenvolvem a doença ao tomar a vacina.

Para superar esses compromissos, os pesquisadores usaram o vírus Eilat como uma plataforma de vacina, uma vez que ele só infecta insetos e não tem impacto sobre os humanos. Na verdade, a equipe usou um clone de vírus Eilat para projetar uma vacina híbrida – ela é baseada em vírus, mas contém também proteínas estruturais do vírus chikungunya.

Vacina híbrida

A vacina híbrida Eilat/Chikungunya mostrou-se estruturalmente idêntica ao vírus chikungunya natural. A diferença é que, embora o vírus híbrido se reproduza muito bem nas células do mosquito, ele não consegue se replicar em mamíferos. Após quatro dias de uma dose única, o candidato a vacina induziu anticorpos neutralizantes que duraram mais de 290 dias nos animais de laboratório.

Os resultados, publicados na revista Nature Medicine, são promissores porque os relatos mais recentes indicam que o vírus chikungunya pode ser mais grave do que os vírus que causam dengue e zika.

Fonte: Diário Saúde

Fiocruz obtém registro de teste para zika, dengue e chikungunya

Kit ZDC

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) obteve o registro do Kit ZDC, o primeiro do país com chancela da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que permite realizar o diagnóstico simultâneo de zika, dengue e chikungunya.

O novo teste auxiliará as ações de enfrentamento da situação de emergência sanitária causada por essas três doenças.

O Kit ZDC detecta o RNA dos três vírus através da plataforma tecnológica PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase) em tempo real e o resultado é obtido no mesmo dia. O produto efetua o diagnóstico molecular com detecção e diferenciação da infecção.

O kit pode ser usado para o diagnóstico laboratorial dos três vírus, para dois ou para cada um separadamente, permitindo ainda o diagnóstico na fase aguda da doença, quando os sintomas clínicos das três infecções se manifestam e necessitam de um diagnóstico laboratorial preciso e discriminatório.

O diagnóstico precoce pode auxiliar na conduta clinica dos pacientes e na indução de providências adicionais relacionadas à vigilância epidemiológica e prevenção de novos casos.

Nacionalização

Os primeiros lotes para atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) já estão sendo produzidos. As entregas se darão conforme a demanda do Ministério da Saúde. A produção e nacionalização dos kits poderá representar uma economia aos cofres públicos, além do aumento da qualidade e confiabilidade do diagnóstico.

A inovação é fruto do trabalho integrado do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), sob coordenação do Ministério da Saúde.

“Temos satisfação em entregar esta inovação à sociedade brasileira. Estamos mobilizados para responder à grave situação do vírus zika e da microcefalia, e esta é parte importante dos nossos esforços”, disse o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.

Fonte: Diário Saúde

Dez multinacionais controlam o mercado mundial de alimentos

As multinacionais do mercado mundial de alimentos

Esta é uma entre tantas consequências da globalização: um número reduzido de empresas multinacionais controla hoje uma parte importante do mercado mundial de alimentos.

O resultado é que essas firmas concentram uma enorme influência para determinar como a comida é repartida no mundo e qual a sua qualidade. Potencialmente, também têm a capacidade de determinar ações que podem ajudar a aliviar a fome no planeta.

Devido a esse poder de influência, a Oxfam, uma organização não-governamental baseada na Grã-Bretanha, está realizando há três anos uma campanha pública intitulada “Por trás das marcas” (Behind the Brands). O objetivo é discutir as políticas de compra de alimentos dessas grandes multinacionais – e a maneira como isso influi no mercado mundial de alimentos.

Controle da produção mundial de alimentos

Dez multinacionais controlam o mercado mundial de alimentos

As dez maiores empresas que estão no foco da campanha são Nestlé, PepsiCo, Unilever, Mondelez, Coca-Cola, Mars, Danone, Associated British Foods (ABF), General Mills e Kellogg’s.

Elas foram selecionadas por encabeçar mundialmente o volume de vendas do setor. A Oxfam diz que essas empresasfaturam juntas US$ 1,1 bilhão (R$ 3,4 bilhões) diariamente e empregam milhares de pessoas. Todas são europeias ou norte-americanas e dominam os setores de produtos lácteos, refrigerantes, doces e cereais, entre outros.

“Há uma ilusão de opções. Você vai a um supermercado e vê diversas marcas, mas muitas são das mesmas dez empresas,” afirmou Irit Tamir, da Oxfam América. Essas empresas operam em mercados globais em que a produção de alguns itens está concentrada em poucas empresas.

Irit Tamir aponta como exemplo três delas, que atuam na cadeia de valor do cacau: Mars, Mondelez e Nestlé. Elas controlam 40% do comércio mundial nessa área. Somente entre 3,5% e 5% do valor de uma barra de chocolate vai para o pequeno produtor rural, segundo a ONG. Enquanto isso, no setor de refrigerantes, Coca-Cola e Pepsi se tornaram as maiores compradoras de açúcar do mundo.

Resultados positivos

Oxfam

A Oxfam estimou o impacto das políticas dessas empresas sobre algumas variáveis: posse da terra, gênero, agricultores e trabalhadores, transparência, clima e água.

Assim, a ONG criou uma tabela de classificação da responsabilidade social na política de aquisição de alimentos dessas dez corporações. As atitudes positivas rendem pontos na tabela. Agora os ativistas estão fazendo campanhas para que as empresas minimizem o impacto que exercem sobre setores específicos.

“Pedimos que as grandes empresas do setor de chocolate tratem melhor as trabalhadoras,” contou Irit Tamar, a título de exemplo. A organização também pediu às empresas de refrigerantes que não tolerem conflitos de terra em relação ao cultivo de cana-de-açúcar. Já as firmas de cereais General Mills e Kellogg’s foram convidadas a reduzir o impacto climático de suas atividades.

Concentração crescente

Comida Enlatada

A boa notícia é que muitas empresas responderam bem à campanha, segundo a Oxfam. A evolução delas na tabela ao longo de três anos de campanha é positiva.

Em fevereiro de 2013, por exemplo, a empresa com melhor classificação entre as dez grandes, a Nestlé, tinha apenas 38 pontos de 70 possíveis. Em 2016, a pontuação da mesma companhia subiu para 52. As ações adotadas pelas empresas vão de políticas de transparência corporativa a estratégias de redução de danos ambientais provocados por cultivos, diz a Oxfam.

O fato de essas grandes empresas parecerem estar adotando políticas mais socialmente responsáveis é uma consequência positiva, pois espera-se que o poder dessas corporações continue aumentando no futuro. “Estamos presenciando cada vez mais concentração (de mercado) entre poucas empresas”, disse Tamar. “As grandes compram as pequenas”.

Com informações da BBC

Suposto Paciente Zero da AIDS é inocentado

Gaetan Dugas paciente zero HIV Aids

O canadense Gaetan Dugas foi um dos pacientes mais demonizados da história. Sua fama era nada mais, nada menos que a de ter sido responsável por propagar o vírus da imunodeficiência humana (HIV) nos Estados Unidos.

Finalmente, a mesma ciência que o condenou agora revelou que não foi bem assim. Um estudo genético publicado na revista Nature limpou a reputação de Dugas, que ficou conhecido como o “Paciente Zero” da AIDS. Os exames mostraram que, na verdade, Dugas foi mais uma entre as milhares de vítimas infectadas pela doença na década de 1970.

O erro se originou de um mal-entendido que confundiu a letra O com o numeral zero. Um “paciente ó” era alguém infectado com vírus HIV de fora do Estado da Califórnia (out-of-California“, na sigla em inglês utilizada pela entidade Centros de Controle de Doenças dos EUA). Com o tempo, porém, a letra foi sendo confundida com o numeral, e Dugas passou a ser conhecido como o Paciente Zero – supostamente o primeiro a contrair a doença, no jargão médico.

“Gaetan Dugas foi um dos pacientes mais demonizados da história e um dos muitos indivíduos e grupos apontados como responsáveis por espalhar a epidemia intencionalmente”, disse Richard McKay, historiador da ciência da Universidade de Cambridge.

Dugas era homossexual e comissário de bordo da companhia Air Canada. Ele morreu em 1984 em decorrência de complicações por causa da Aids.

Paciente Zero

A expressão “Paciente Zero” é utilizada em referência ao histórico de algumas doenças – por exemplo, em relação ao primeiro caso do surto de ebola no continente africano. Mas no caso da Aids – a síndrome da imunodeficiência adquirida -, a disseminação ocorreu de maneira diferente.

A Aids começou a ficar conhecida em 1981, quando sintomas até então incomuns começaram a aparecer em homens gays. Mas os investigadores do estudo conseguiram ir além e analisaram amostras de sangue armazenadas como provas de hepatite na década de 1970 e concluíram que algumas delas já continham HIV.

A equipe da Universidade do Arizona desenvolveu um novo método para reconstruir o código genético do vírus nesses pacientes. Depois de avaliar 2 mil amostras de Nova York e São Francisco, os cientistas conseguiram achar oito códigos genéticos completos do HIV.

Isso deu a eles a informação de que precisavam para construir uma árvore genealógica do HIV e descobrir quando ele chegou aos EUA. “As amostras apresentam tamanha diversidade genética que não é possível que elas tenham origem no final da década de 1970”, disse Michael Worobey, um dos pesquisadores do estudo. “Podemos considerar as datas mais precisas sobre a origem da epidemia nos Estados Unidos por volta de 1970 e 1971.”

Fonte: Diário Saúde com informações da BBC

Doenças que atingem 1 bilhão de pessoas e ninguém se importa

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Negligência

Com o impacto gerado pela epidemia do vírus zika, que se espalha para outras partes do mundo, parece fácil esquecer que centenas de milhões de pessoas nos países mais pobres ou em desenvolvimento sofrem de “doenças tropicais negligenciadas”, ou DTNs.

Trata-se de um grupo de doenças tropicais endêmicas, especialmente entre populações pobres da África, Ásia e América Latina. A negligência é das autoridades de saúde e das empresas farmacêuticas, que não veem essa parcela da população como mercado capaz de comprar medicamentos.

Surtos como o de zika, emergência internacional presente hoje em mais de 60 países e territórios, vêm e vão ao longo do tempo e ganham as manchetes da imprensa. Porém, silenciosamente, mais de 1 bilhão de pessoas em 149 países sofrem com as doenças tropicais negligenciadas.

Doenças Tropicais Negligenciadas

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece 18 doenças como DTNs: dengue, raiva, tracoma, úlcera de Buruli, bouba, hanseníase, doença de Chagas, doença do sono, leishmaniose, teníase/neurocisticercose, dracunculíase, equinococose, trematodíases de origem alimentar, filariose linfática, oncocercose (cegueira dos rios), esquistossomose, helmintíases transmitidas pelo solo e micetoma.

No Brasil, a DTN que tem maior incidência, em números absolutos, é a dengue, segundo a entidade Médicos Sem Fronteiras – ainda que, mais recentemente, venha havendo um esforço consistente para o desenvolvimento de uma vacina. Outra doença preocupante em território nacional é a hanseníase (lepra): o Ministério da Saúde registrou cerca de 28 mil novos casos de infecção em 2015.

Diferentemente da infecção por zika ou ebola – ou da gripe aviária e da Sars, voltando um pouco no tempo -, há pouco risco de as DTNs se espalharem pelo mundo desenvolvido. Os atingidos se concentram em áreas rurais remotas ou aglomerados urbanos, e a voz dessas pessoas quase não se faz ouvir pelo mundo.

Anos Vividos com Incapacidade

Nem todas as infecções por DTNs resultam em morte, mas conviver com elas pode ser debilitante. Uma maneira de medir o impacto de doenças na saúde da população é relacionar a duração média da enfermidade com sua gravidade, um indicador chamado Anos Vividos com Incapacidade (AVIs).

Embora a China e a Índia sejam os países mais afetados por DTNs, isso ocorre pelo tamanho das populações dessas nações. Ajustando a medição por população, países africanos, do Sudeste Asiático e pequenos arquipélagos como Kiribati e ilhas Marshall se destacam como as áreas mais atingidas.

Na República Democrática do Congo, um dos países mais afetados, o Instituto para Métricas Médicas e Avaliações, centro de pesquisa da Universidade de Washington, disse que apenas em 2013 houve mais de 8 milhões de casos de apenas uma DTN, a oncocercose ou cegueira dos rios, resultando em 500 mil AVIs.

A oncocercose é uma doença parasitária crônica transmitida por mosquitos que carregam o nematódeo Onchocerca volvulus. No corpo humano, essas larvas se tornam vermes adultos que podem causar cegueira, lesões cutâneas, coceira intensa e despigmentação da pele quando os vermes morrem.

Avanços e retrocessos

Apesar de a oncocercose ser uma das DTNs mais disseminadas, muitos países a controlaram pela aplicação de inseticidas, e houve uma queda de 24% de 1990 a 2013 nos AVIs causados pela enfermidade no mundo.

Há outros casos bem-sucedidos. Infecções intestinais por nematódeos, como aquelas causadas por vermes em forma de gancho, registraram a maior queda entre as DTNs – 46% até 2013. Já o chamado verme-da-Guiné, causador da dracunculíase, está quase erradicado.

Mas enquanto a maioria das DTNs registram prevalência menor em 2013 do que em 1990, algumas estão em alta, e certas doenças possuem um potencial de estrago maior do que as enfermidades que estão recuando.

A leishmaniose é uma delas: Cerca de 12 milhões de pessoas estão infectadas, e houve um aumento de 136% nos AVIs desde 1990. E o caso mais preocupante é da dengue, doença conhecida dos brasileiros, mas distante do mundo desenvolvido. Segundo a OMS, há registro de cerca de 390 milhões de casos de dengue no mundo por ano, e 96 milhões desses casos resultam em doenças com alguma severidade. Houve aumento superior a 600% nos AVIs causados pela dengue desde 1990.

Fonte: Diário Saúde

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Facebook é criticado por estudo secreto sobre emoções

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Há pouco mais de uma semana, o Diário da Saúde foi o único veículo nacional a divulgar uma pesquisa que mostrou a manipulação de notícias mostradas a centenas de milhares de usuários do Facebook.

Durante o estudo, coordenado por Adam Kramer, funcionário do Facebook, em parceira com cientistas das universidades norte-americanas de Cornell e da Califórnia, o Facebook manipulou o feed de notícias de quase 700 mil usuários para mostrar mais notícias boas ou mais notícias ruins. A manipulação foi feita durante uma semana, sem conhecimento e sem consentimento dos usuários. Na reportagem, afirmávamos: “Embora até o momento nenhuma crítica ética tenha sido levantada…”.

Pois agora as críticas éticas estão sendo levantadas à exaustão. “Vamos chamar o experimento do Facebook do que ele é: o sintoma de uma falha muito maior em pensar sobre ética, poder e consentimento sobre plataformas (digitais),” disse a pesquisadora de política e ética de dados Kate Crawford, segundo reportagem da BBC. Lauren Weinstein, que estuda tecnologia de sistemas, disse que o experimento secreto do Facebook “tentou fazer os usuários se sentirem tristes. O que pode dar errado?” ironizou ela.

O estudo concluiu que a exposição a conteúdo emocionalmente negativo leva o usuário a produzir e postar mais conteúdo negativo, e vice-versa, reforçando as emoções num e noutro sentido. Segundo especialistas, é difícil avaliar o impacto que uma manipulação assim teria sobre indivíduos, por exemplo, com transtorno de personalidade limítrofe ou com forte depressão ou ansiedade, que já estejam “nos limites das suas emoções”.

O assunto chegou também aos políticos. Jim Sherida, parlamentar do Partido Trabalhista da Grã-Bretanha, pediu uma investigação sobre o assunto em uma entrevista ao jornal The Guardian. “Eles estão manipulando material da vida pessoal dos usuários e eu estou preocupado com a habilidade do Facebook e de outros de controlarem os pensamentos das pessoas em política e em outras áreas”, criticou Sherida.

O parlamentar defendeu uma legislação para proteger as pessoas contra este tipo de prática. Já Katherine Sledge Moore, professora de psicologia de Elmhurst College, também ouvida pela BBC, afirmou que a realização deste tipo de estudo “não é uma surpresa”.

“Considerando o que o Facebook faz com o feed de notícias dos usuários o tempo todo, e o que tivemos de concordar ao nos tornarmos usuários, esse estudo não é de se espantar,” disse ela. “Eu posso compreender por que algumas pessoas estão preocupadas e eu e os outros coautores lamentamos a forma como o experimento foi descrito e qualquer ansiedade causada,” defendeu-se Adam Kramer.

Cientistas analisam 46 anos de violência nos filmes de James Bond

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Meu nome é violência

Cenas violentas na série James Bond são duas vezes mais comuns no filmeQuantum of Solace, do que no pioneiroDr No, lançado em 1962. Pesquisadores da Universidade de Otago (Nova Zelândia), analisaram 22 filmes da série, que já dura 46 anos. Eles queriam testar a hipótese de que os filmes mais populares estão se tornando mais violentos.

O último filme de James Bond, Skyfall, não foi incluído porque não havia sido lançado quando os pesquisadores começaram o estudo.

Há quase três vezes mais cenas de violência severa nos filmes mais recentes de James Bond do que no filme original da série, Dr. No, lançado em 1962.

Bob Hancox e seus colegas verificaram que, de fato, as cenas de violência aumentaram significativamente no período estudado. Além disso, houve um aumento ainda maior no que eles chamam de “violência severa”, atos que poderiam causar a morte ou ferimentos se ocorressem na vida real.

Enquanto o Dr. No continha 109 cenas de violência trivial ou severa, há 250 cenas violentas dos dois tipos emQuantum of Solace. Este último filme tem quase três vezes mais cenas de violência severa do que o original.

Os pesquisadores definiram atos violentos como tentativas de qualquer indivíduo para prejudicar o outro, e foram classificados como grave (como socos, pontapés, ou ataques com armas) ou violência trivial (como um empurrão ou um tapa de mão aberta). Segundo os pesquisadores, o estudo foi motivado pela ausência de limitação por idade para os filmes mais populares.

Há largas evidências de estudos sugerindo que jovens e adolescentes assistindo cenas de violência na mídia pode contribuir para a dessensibilização à violência e o comportamento agressivo, disse o professor Hancox.

O estudo foi publicado na revista Archives of Pediatric & Adolescent Medicine.

Bebida de farinha de uva reduz doenças do envelhecimento em mulheres

Redução do estresse oxidativo

Uma bebida desenvolvida a partir da farinha do bagaço da uva tem potencial para prevenir ou reduzir, em mulheres saudáveis, o estresse oxidativo e suas consequências: envelhecimento precoce, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cânceres.

Isto ocorre devido à existência deácidos fenólicos na bebida, substâncias antioxidantes que protegem o organismo contra a ação de radicais livres que provocam estes tipos de doenças. A descoberta é fruto da pesquisa realizada por Marcela Piedade Monteiro e Elizabeth Torres, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP).

Uva com jeito de açaí

A bebida foi desenvolvida a partir de um subproduto do suco de uva, e foi testado em mulheres saudáveis. Para a obtenção da bebida, a pesquisadora utilizou uma farinha de bagaço de uva, um produto desenvolvido na própria USP em 2008. A farinha é produzida com o bagaço, que é formado por cascas e sementes, obtido das uvas prensadas após a separação do suco concentrado a ser engarrafado.

A produção da bebida ocorre a partir do acréscimo de água a aproximadamente 4,8% da farinha e da homogeneização feita por técnica industrial. Segundo a pesquisadora, essa bebida “possui aparência semelhante ao suco de açaí”.

Gosto da bebida

O próximo passo da pesquisa foi identificar a aceitabilidade da bebida. Para isso foi feita análise sensorial com o uso de uma escala hedônica estruturada de 9 pontos em que havia a observação de parâmetros como odor, aroma, sabor e gosto. Para cada critério, a pontuação varia de 1 (“desgostei muitíssimo”) a 9 (“gostei muitíssimo”), sendo a média 6 (“gostei ligeiramente”). A bebida obteve nota igual a 6 em todos os quesitos, o que a definiu como aceitável. Por isso, a etapa seguinte passou a ser realizada.

Por meio de análises físico-químicas foram testados pH, cor, grau Bricks (quantidade de açúcar presente na bebida) e a capacidade antioxidante, que significa proteger contra o ataque de radicais livres. Assim, foram quantificados os compostos fenólicos, que possuem propriedades antioxidantes.

Teste dos efeitos sobre a saúde

A segunda etapa da pesquisa foi experimentá-la em uma intervenção que envolveu 15 mulheres jovens e saudáveis. Esta fase foi dividida em quatro etapas. Inicialmente, foi feita a coleta de sangue como amostra controle para verificar as modificações ao longo das demais fases.

A seguir, as mulheres foram divididas em dois grupos. A primeira metade ingeriu por 15 dias a bebida de farinha. Posteriormente, não beberam nada que contivesse uva por 15 dias. Nos últimos 15 dias, ingeriram um suco comercial em pó de uva de baixa caloria, equivalente à bebida em estudo. Já o segundo grupo intercalou o suco em pó, nada e a bebida. A cada etapa o sangue era novamente coletado. Foi recomendado a todas as mulheres que não modificassem a dieta, apenas que não se bebesse mais nada que pudesse conter uva e interferir na análise.

Benefícios para as mulheres

Nenhuma modificação significativa pôde ser percebida após a ingestão do suco em pó em relação à amostra controle de sangue. Já quanto à bebida, a melhora foi significativa no que se relaciona à capacidade antioxidante.

“O que é muito bom, explica a pesquisadora, porque indica que pode contribuir na prevenção ou redução de doenças relacionadas ao estresse oxidativo, tais como envelhecimento precoce e doenças cardiovasculares”.