Facebook é criticado por estudo secreto sobre emoções


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Há pouco mais de uma semana, o Diário da Saúde foi o único veículo nacional a divulgar uma pesquisa que mostrou a manipulação de notícias mostradas a centenas de milhares de usuários do Facebook.

Durante o estudo, coordenado por Adam Kramer, funcionário do Facebook, em parceira com cientistas das universidades norte-americanas de Cornell e da Califórnia, o Facebook manipulou o feed de notícias de quase 700 mil usuários para mostrar mais notícias boas ou mais notícias ruins. A manipulação foi feita durante uma semana, sem conhecimento e sem consentimento dos usuários. Na reportagem, afirmávamos: “Embora até o momento nenhuma crítica ética tenha sido levantada…”.

Pois agora as críticas éticas estão sendo levantadas à exaustão. “Vamos chamar o experimento do Facebook do que ele é: o sintoma de uma falha muito maior em pensar sobre ética, poder e consentimento sobre plataformas (digitais),” disse a pesquisadora de política e ética de dados Kate Crawford, segundo reportagem da BBC. Lauren Weinstein, que estuda tecnologia de sistemas, disse que o experimento secreto do Facebook “tentou fazer os usuários se sentirem tristes. O que pode dar errado?” ironizou ela.

O estudo concluiu que a exposição a conteúdo emocionalmente negativo leva o usuário a produzir e postar mais conteúdo negativo, e vice-versa, reforçando as emoções num e noutro sentido. Segundo especialistas, é difícil avaliar o impacto que uma manipulação assim teria sobre indivíduos, por exemplo, com transtorno de personalidade limítrofe ou com forte depressão ou ansiedade, que já estejam “nos limites das suas emoções”.

O assunto chegou também aos políticos. Jim Sherida, parlamentar do Partido Trabalhista da Grã-Bretanha, pediu uma investigação sobre o assunto em uma entrevista ao jornal The Guardian. “Eles estão manipulando material da vida pessoal dos usuários e eu estou preocupado com a habilidade do Facebook e de outros de controlarem os pensamentos das pessoas em política e em outras áreas”, criticou Sherida.

O parlamentar defendeu uma legislação para proteger as pessoas contra este tipo de prática. Já Katherine Sledge Moore, professora de psicologia de Elmhurst College, também ouvida pela BBC, afirmou que a realização deste tipo de estudo “não é uma surpresa”.

“Considerando o que o Facebook faz com o feed de notícias dos usuários o tempo todo, e o que tivemos de concordar ao nos tornarmos usuários, esse estudo não é de se espantar,” disse ela. “Eu posso compreender por que algumas pessoas estão preocupadas e eu e os outros coautores lamentamos a forma como o experimento foi descrito e qualquer ansiedade causada,” defendeu-se Adam Kramer.

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