Calibre 12, um western lageano


Calibre 12 pode ser chamado de primeira obra prima do músico e pistoleiro, João Amorim quando o mesmo decidiu virar um artista multimídia de sucesso… Embora não seja da maneira desejada. O filme foi gravado em Lages e pode ser facilmente confundido com qualquer outra obra feita nos anos 80, pois a qualidade do filme é “invejável”. Mesmo sendo feito nos anos 80, precisamente em 1987, parece que foi feito nos anos 60, pelas vozes dos atores serem dubladas por algum estúdio tosco e por só sair fumaça dos tiros que as pessoas levam no peito.

Sinopse

O filme é basicamente uma montanha russa sem sentido de intrigas lageanas, closes que mostram a cara de João Amorim com uma música dramática e mulheres nuas pela serra. É um dos poucos filmes de Amorim que tem núcleos de personagens (na verdade, provavelmente seja o único). Porém, os núcleos só são recomendados a filmes que prestam, o que não é o caso de Calibre 12.

Logo, no início do filme é possível ver João Amorim em seu trabalho verdadeiro. Trabalho que ele nunca deveria ter parado de fazer, pois se tem alguma coisa que João consegue fazer pior do que suas canções sobre cachaça e mortes na serra são seus filmes.

Após o bailão e após ter matado meio mundo de quem estava presente no recinto, João Amorim vai caminhando pela cidade e acaba testemunhando uma das cenas ilustres de Calibre 12 em que um pai está comercializando suas crianças para um velho tarado de Florianópolis. É aí que aparece os tais closes dramáticos dos atores. O close é tão realístico que você se sente no filme do Arnold Schwazenegger e sua feição de debiloide… Após a música diqualidadi, a cena fecha para o núcleo de jovens arruaceiros.

Eles ficam dirigindo por aí, bebendo gasolina e viajando pela serra com seu bug movido à manivela. Além disso, esses jovens no final irão ser importantes… de alguma maneira. Mas no começo do filme apenas servem para mostrar uma mulher que fazia parte do grupo tirar roupa e ir em um riacho, fazendo a câmera ter um efeito “caleidoscópio” simulando as sensações que o roteirista teve ao escrever o filme após provar o pacote de LSD que haviam oferecido.

Depois de focar no núcleo da putaria, o filme foca no núcleo inimigo de João, que são os bandidos mal intencionados que ficam na serra. Ironicamente, o som é tão ruim que dúvidas pairam no ar o tempo inteiro para saber o que os atores disseram. Em breve, faz 45 minutos de filme e ninguém entendeu sequer uma parte da história.

Clímax do calibre

Calibre 12 chega ao seu clímax após uma hora de filme. De alguma forma, gravaram tantas cenas aleatórias e sem-sentido que não dá nem para saber quando deveria começar o filme. Por exemplo, nos 30 e poucos minutos de filme, aparece um casal brigando com o fusca atolado na lama. Quando esse casal volta a aparecer? Qual a relevância desse casal para a trama sem sentido de Calibre 12? Ninguém sabe. Ninguém quer saber…

Mas acontece de, um certo momento, “João Cantor” conhece outro instrumento que fazia apenas uma nota e que servia para despachar gente para o inferno. E assim, João descobre a vocação para pistoleiro e vai arranjar confusão nas serras lageanas, atirando nos bandidos que ficam nas rochas.

Outra coisa nonsense é que nunca é dito que são bandidos, apenas que estupram mulheres e que João Amorim atira neles por simplesmente serem “suspeitos”. A influência desse fator no filme é tamanha que até hoje a polícia de Lages atira apenas nas pessoas “suspeitas”… Ou seja, as pessoas que usam a camisa do Grêmio.

Depois de muitas cenas em que Amorim mata todos os capangas do “chefe” (que até hoje ninguém conseguiu decorar a cara, já que todo mundo se vestia igual), ele acaba sendo encurralado e desarmado. É aí que João dá uma de X9 e diz:

Sou eu! o João Cantor! Não se lembra?
João AMorim querendo se safar, por estar sem pistolas

Ahhhh! Foi você o bastardo que destruiu o meu bailão no começo do filme? Agora é pessoal…
Chefe da quadrilha sobre o “João Cantor”

O fim do calibre

No final, João Amorim fica com a loira, ele mata os jovens arruaceiros após uma briga de bar (em que as pessoas caíam no chão com um grito que mostrava toda expressão de dor ou de um orgasmo) e todos aprendem uma boa lição: nunca dê um rifle Calibre 12 para um músico serrano, pois ele pode baixar o santo e a coisa ficar feia.

Vídeo

Calibre 12, com alguns flashs que mostram toda a ação e efeitos especiais produzidos no filme. Destaque para o estilo de luta gaúcho, que consiste com chute nas partes baixas.

Produção

A parte que mais difere Calibre 12 dos outros filmes de João Amorim é justamente a produção: aparentemente é de uma longíqua época em que Lages era uma cidade que prestava, em que João Amorim era podre de rico, em que os efeitos especiais não eram tão exigentes e que putaria gratuita era o marco dos filmes gaúchos.

Por isso, os primeiros 15 minutos de Calibre 12 são justamente usados para valorizar todas as pessoas que perderam tempo produziram o filme. É nesses momentos que percebemos como será o andamento do resto do filme: um narrador idiota falando vários nomes complicados de anônimos que já devem ter ido para o saco sob um fundo vermelho com os nomes deles. Após esses 15 minutos (que muitas vezes eram usados como cochilo nas salas de cinema) começara o verdadeiro filme… ou não…

Ao contrário do outro clássico de João – Obrigado a Matar – , Calibre 12 é um filme com um humor mais refinado de época. Por isso, apenas pessoas que assistiram o filme nos cinemas ou na época do VHS mesmo, acabam conhecendo alguma coisa sobre Calibre 12 e desfrutando do “humor involuntário” que só João Amorim consegue fazer. ALiás, foi nesse filme que começou a maldita maldição dos filmes de João não serem levados a sério nunca. Por isso, podemos dizer que após 30 minutos de filme, pode ser que você não ria pois é a massa séria do filme… Mas por que parece tão séria essa parcelado filme?

A resposta é simples: aparentemente parece mais uma aula de história sobre como era a região serrana de Santa Catarina antigamente do que um filme de comédia ação. Alguns podem até achar engraçado a parte em que o pai pobre vende seu filho para um Michael Jackson da vida, mas não é para achar aquilo engraçado já que é algo comum no sul do Brasil.

Publicações do João no #blogdodcvitti

Aqui estão algumas das postagens do termo João Amorim e do filme Calibre 12. Confira pelos links e divirta-se:

Esse artigo foi copiado do Desciclopédia.

😀

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Uma resposta em “Calibre 12, um western lageano

  1. Cara, parece que você fez sua resenha com base no que uma pessoa com déficit de atenção te contou do filme… várias coisas descritas parece que você não prestou atenção, ou finge que não prestou pra render piadinha no texto: não tem putaria, apenas uma cena de nudez com a câmera em caleidoscópio, a locução que enumera uma tonelada de pessoas no início está dando os créditos iniciais do filme (uma estratégia dos produtores do filme, experientes em cinema popular e plateias analfabetas) e o trecho em que você diz que João Amorim testemunha uma família “vender um filho” é um flashback dele, sendo ele o moleque que é vendido e trecho que esclarece o antigo caso amoroso que ele busca retomar na sua volta à cidade…

    Tá, mas o filme é ruim e isso não ficou claro… tudo bem, no casal com o carro atolado, João tem um diálogo muito claro sobre o que o personagem dele pretende, sobre quem é a loira que ele fica no final e, inclusive, o casal do carro participa muito do desenrolar da história, sobretudo do bagunçado tiroteio final, em que todos os malvados morrem.

    E aproveitando pra acrescentar: não sei como o João Amorim financiou a produção, mas a realização ficou a cargo de Tony Vieira, um produtor e diretor veterano de filmes de bangue bangue, com médias altíssimas de público (que atua no filme como um aliado dele, tem um papel decisivo no enredo e você omitiu completamente o papel dele), que fez fitas bem legais de “western feijoada”, mas, desta vez, não foi feliz nessa realização, a última de sua vida.

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