Ampliação de resposta à aids mostra liderança do Brasil na área


O Ministério da Saúde do Brasil vai expandir a oferta de tratamento contra a aids a todos os adultos que sejam diagnosticados soropositivos, independentemente do estágio da doença, anunciou o governo federal nesta quarta-feira (16/10).

O novo protocolo de atendimento a pessoas com HIV, cujo período de consulta pública se encerra em 5 de novembro, prevê a opção ao paciente de iniciar o tratamento logo após a confirmação da presença do vírus no organismo. Com isso, amplia-se a qualidade de vida da pessoa em tratamento e se reduz a possibilidade de transmissão do vírus – estudos internacionais evidenciam que o uso precoce de antirretrovirais diminui em 96% a taxa de transmissão do HIV.

A expectativa é de que a expansão da oferta de tratamento beneficie mais de 100 mil pessoas.

“O Brasil está mais uma vez mostrando uma forte liderança na resposta à aids, e está fazendo isso de uma forma aberta e inclusiva, através de consulta pública”, disse a coordenadora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) no Brasil, Georgiana Braga-Orillard. “A iniciativa vai melhorar a vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir mortes por aids em todo o país.”

O texto completo da proposta do novo protocolo encontra-se disponível no endereço eletrônico http://www.saude.gov.br/consultapublica. A validação das proposições recebidas e elaboração da versão final consolidada do protocolo será coordenada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, que deve finalizar o documento em novembro deste ano.

Atualmente, o Ministério da Saúde disponibiliza o tratamento com medicamentos antirretrovirais, integralmente gratuitos, a 313 mil pacientes com aids. Esse universo de pessoas tratadas mais que dobrou desde 2003, quando o número de pacientes acompanhados era de 132 mil.

A expansão da oferta de medicamentos foi acompanhada pelo fortalecimento da produção nacional dos itens. Atualmente, o Brasil fabrica metade dos 20 medicamentos ofertados pelo SUS. Só nos últimos dois anos, foram incorporadas duas novas drogas – tipranavir e maraviroque.

700 mil vivem com HIV e aids no país

Alunos paranaenses participam de passeata para enfrentamento da aids. Foto: SEED/Giuliano Gomes

O Brasil registra em média cerca de 38 mil casos de aids por ano. Desde os anos 80, quando a epidemia teve início, o país já contabilizou 656 mil casos. Estima-se que atualmente cerca de 700 mil pessoas vivam com HIV e aids no país, mas 150 mil não sabem de sua condição.

Para acessar esse público, o Ministério da Saúde tem investido na ampliação do acesso à testagem por meio do projeto de mobilização do “Fique Sabendo”, que incentiva a realização do teste de aids, conscientizando a população sobre a importância da realização do exame.

Atualmente, 345 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) disponibilizam o teste rápido para HIV, além de oferecer aconselhamento sobre prevenção, diagnóstico, tratamento e qualidade de vida, além das maternidades públicas e dos serviços especializados. O exame também está presente em mais da metade das unidades básicas.

Com a mesma confiabilidade do método tradicional, o teste rápido exige apenas uma gota de sangue do paciente e fica pronto em cerca de 30 minutos.

O exame é 100% nacional desde 2008, sendo produzido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Foram disponibilizados em 2012 cerca de 3,7 milhões de testes rápidos – quatro vezes mais que os 500 mil executados em 2005, quando começou o “Fique Sabendo”.

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