Nota da Pastoral da Juventude sobre as eleições municipais de 2012


pastoral da juventude

O ano de 2012 está marcado por grandes acontecimentos e eventos em nível mundial, nacional e local. A bola que rola agora em todo o Brasil é a das eleições municipais. Acreditamos que a participação política por meio do voto é uma das ferramentas mais importantes que os jovens e toda a sociedade têm nas mãos para mudar diversas realidades. As eleições municipais são tão importantes quanto as eleições presidenciais e é no município que entram em debate os projetos que tratam dos problemas/demandas mais próximos do povo local, da cidade e do campo, e onde as políticas públicas acontecem em si. É na sua cidade que a população tem muito mais influência e controle nas decisões políticas, além de conhecer melhor os candidatos, como nos lembra a nota da CNBB sobre as eleições municipais.

A Pastoral da Juventude nos inspira no nosso jeito de ser, crer e viver e nos compromete com os irmãos, especialmente os mais pobres e excluídos. São esses que devem estar no primeiro plano de nossa ação evangelizadora, e ela, como dizem os bispos dos Brasil, “deve também motivar o envolvimento com as grandes questões que dizem respeito a toda a sociedade, como a economia, a política e todos os desafios sociais do nosso tempo” (nº 83, Doc. 85 da CNBB – Evangelização da Juventude).

Diante desse contexto, a Pastoral da Juventude de Santa Catarina quer chamar a atenção ao voto consciente e às propostas de políticas públicas de governo (dos cargos legislativo e executivo) – especialmente as voltadas para a juventude.

Em toda a sua história, a Pastoral da Juventude assumiu diversas bandeiras de luta. Essas bandeiras sempre buscaram o protagonismo e a participação juvenil nos processos e decisões, bem como a conquista e a defesa de direitos, em especial de jovens, mulheres, negros, povos tradicionais, dos empobrecidos e excluídos, promovendo a vida em todos os espaços. Em nome dessas bandeiras, queremos apresentar algumas de nossas pautas para contribuir no discernimento de candidatos realmente comprometidos com as causas da juventude (ressaltamos que o objetivo desta carta é o de contribuir na análise das propostas dos mesmos):

  • Educação pública, popular e de qualidade: que garanta o acesso dos jovens aos níveis de ensino médio e superior, sabendo da necessidade de políticas públicas maiores que garantam as suas permanências nesses espaços como a alimentação de qualidade (merenda escolar), o transporte gratuito, auxílio moradia para os que cursam o ensino superior em outras cidades, políticas de incentivo ao retorno e atuação dos acadêmicos/graduados no município de origem;
  • Trabalho: políticas para primeiro emprego, facilitando a inserção no mercado de trabalho, condições dignas de trabalho, incentivo a novas formas de produção e à economia solidária;
  • Saúde e assistência social: o Estado deve promover o acesso a saúde pública de qualidade, garantindo postos de saúde com médicos disponíveis para atender, farmácia básica e atendimento nas diversas especialidades da saúde. Porém, a garantia à saúde vai além da cura de doenças. É preciso preveni-lase, garantir a segurança alimentar e nutricional é uma das formas de prevenção bem como a assistência social para o acompanhamento efetivo da família e dos jovens em condições de vulnerabilidade social;
  • Política agrícola e agrária: que dê subsídios e incentivos para a permanência do jovem no campo e priorize a agricultura camponesa e agroecológica. Ainda, implantação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e da Lei da Merenda Escolar no município que ainda não tem, ou ampliação e dinamização dos programas caso já existam;
  • Esporte, lazer e cultura: construir espaços mais dinâmicos, com prática de hábitos saudáveis e de convivência juvenil, de valorização à cultura local, e que tenham acesso gratuito a todas às juventudes;
  • Meio Ambiente e Sustentabilidade: exige uma mudança estrutural, que vá além de limpar rios. Defender os bens naturais como patrimônio e para uso consciente dos povos, e não de empresas; ou seja, lançar um novo olhar para esse meio, de cunho preservacionista e não de exploração;
  • Criação de Conselhos Municipais de Juventude: espaços autônomos, consultivos e deliberativos, que dialogue com todas as juventudes do município e busque a construção de políticas públicas de juventude realmente eficazes;
  • Combate à violência e ao extermínio de jovens: a violência pode se manifestar de diversas formas: física, moral, simbólica, estrutural… A melhor forma de combater a violência contra a juventude é garantindo essas e muitas outras políticas públicas. Cremos que pe necessário propor ainda um novo olhar afetivo para a juventude, em especial nas relações de gênero e etnia, como o combate à violência contra a mulher e contra a juventude negra. Desenvolver programas de enfrentamento às drogas, de educação no trânsito, e ainda constituir os Conselhos Municipais de Segurança envolvendo a comunidade.

Vamos ficar vigilantes. Além de nos atentar para essas propostas, vamos chamar os candidatos para o debate, para a discussão com a juventude e a sociedade local, de forma aberta, questionando-os diretamente sobre seus objetivos, projetos, forma de governar… A cada candidato, consultemos sua ficha política; e fiquemos de olhos abertos e pulsos firmes para combater a corrupção eleitoral. Venda e compra de voto são crimes!

Sabemos que uma democracia real e participativa é possível. Queremos que o Estado esteja a serviço de toda a população e não de uma pequena elite dominante; que ele garanta os nossos direitos com equidade e justiça social, com participação e consulta ao povo para avançar, se tornando popular de fato.

O voto consciente pode ser o primeiro passo para tomar partido em defesa de uma nova sociedade, justa e igualitária – por isso é importante não se abster de votar (votando em branco ou anulando o voto). Temos muito que construir ainda e acreditamos que a juventude é uma das principais forças para mudar a sociedade. Não deixaremos o debate e a participação de lado. Não somos o futuro, somos o presente: o presente da transformação! À luz do Evangelho de Jesus, que deu a vida por um Projeto de Sociedade, ousemos também nós assumir nossos sonhos, construindo a Civilização do Amor.

Faça a melhor escolha: vote consciente.

Boas eleições!

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